Banda de ex-guerrilheiros mostra o que é ser rebelde de verdade

Grupo Tinariwen, do Mali, é formado por ex-combatentes de guerras na África. Hoje em dia o grupo faz sucesso em turnês e parcerias com lendas do rock.

Todd Pitman Da AP entre em contato

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A banda de Mali Tinariwen faz show em Dacar, no Senegal (Foto: AP)

No mundo do rock ‘n roll, é sempre descolado ser um rebelde. Mas uma banda de ex-guerrilheiros que hoje empunham guitarras não está fingindo.

Formada no exílio na Argélia, treinada em campos militares da Líbia e testada no campo de batalha, o grupo malinês Tinariwen tem cantado as agruras dos aguerridos nômades de Mali há décadas, com uma elétrica coleção de um hipnótico blues poético com raízes na cultura tuaregue.

Antes distribuídos de mão em mão em fitas cassetes banidas pelo governo – o empresário inglês Andy Morgan chamou-os de ” rebento explosivo do gueto” – sua música galvanizou uma geração abandonada e amalgamou uma cultura esparsa que não tinha jornais, rádio ou estações de TV em sua língua nativa, o tamashek.

Hoje em dia, os músicos de turbante saídos direto do Sahara estão fazendo turnês por lugares como Nova York, Paris e Tóquio para promover seu último CD “Aman Iman: Água é vida” – doze músicas no estilo solos de guitarra/pedal wah-wah dos anos 1960, comandando batidas de tambor africanas e palmas em ritmos arábicos entremeadas com letras que navegam no rio épico da vida dos tuaregues atuais.

Muitas das canções foram escritas anos atrás, antes da eclosão de rebeliões que assolam o Mali e a Nigéria, rica em urânio, neste ano e no ano passado. Mas como disse o cantor e guitarrista Abdallah Ag Alhousseyni numa entrevista recente em Dacar, no Senegal, a música permanece a mesma.

“Os problemas dos tuaregues de Mali e na Nigéria nunca foram resolvidos” disse Alhousseyni enquanto vários membros da banda estavam deitados em um colchão no chão do seu hotel modesto, aquecendo chá chinês em um pequeno fogareiro de carvão.

“Os jovens tuaregues estão armados nas montanhas”, disse Alhousseyni .”Eles querem paz, mas não apenas isto. Para descer, eles querem ver desenvolvimento”.

Surgimento

Tinariwen – que quer dizer “deserto” ou lugares vazios” – começou em 1979 em Tamanrasset, no sul da Argélia, onde os futuros membros da banda tinham uma vida precária quando do surgimento da rebelião de Mali de 1963 e das duras secas que se seguiram uma década depois.

Entre eles estava Ibrahim Ag Alhabib, o líder e cantor/guitarrista da banda, alto, carismático e de cabeleira armada, co-fundador da banda. As forças de Mali mataram o pai de Alhabib e sacrificaram seus camelos e seu gado quando ele tinha 4 anos, levando-o a uma vida errante que incluiu passagem pela cadeia e perambulações ente as massas de jovens exilados e desempregados que sonhavam com a volta à sua terra.

Segundo o relato de Morgan, Alhabib aprendeu a tocar em guitarras que “ele mesmo fazia usando de galões de metal, um bastão, e cordas de aros de bicicleta.”

Foi uma escola de adversidades que poucos músicos ocidentais podem imaginar.
Levados para os campos de treinamento do líder líbio Moammar Gadhafi nos anos 1980, os roqueiros ensaiavam entre os exercícios militares. Eventualmente, seis deles foram lutar na rebelião de Mali, que durou de 1990 até 1996. Quatro ex-combatentes permanecem na sólida banda de doze homens.

Guitarra e Kalashnikov

Uma história sempre contada fala do antigo guitarrista da banda Kheddou Ag Ossad indo para a guerra com uma guitarra Fender Stratocaster em um ombro e um rifle Kalashnikov no outro. Ele foi baleado 17 vezes e sobreviveu, assim diz a lenda.

Verdadeiras ou não, estas histórias alavancaram o status mítico da Tinariwen. O grupo, contudo, abdica do passado e diz não endossar a violência.

“A noção de que você pode atingir seus objetivos pelas armas é defasada. Não vale a pena”, disse Hassan Ag Touhami, um cantor/guitarrista/percussionista bigodudo. A rebelião da sua própria geração “nunca foi uma boa idéia”, ele disse, “mas as vezes existem obrigações”.

O público da Tinariwen começou a ficar globalizado quando eles tocaram no Festival do Deserto de Mali de 2001, uma série de concertos no estilo de Woodstock que reúne nômades de turbante azul montados em camelos e estrangeiros sob as estrelas do deserto.

“O primeiro álbum, “Sessões da Rádio Tisdas”, foi lançado no mesmo ano e foi seguido pelo sucesso de world music “Amassakoul”, que significa “viajante”. Desde então, Tinariwen tem tocado com lendas do rock como Santana e Robert Plant do Led Zeppelin, cujo guitarrista, Justin Adams, produziu também “Aman Iman”.

As faixas dos seu último trabalho mostram a característica agressiva das seis guitarras do grupo, deixando a retaguarda soltar vocais poéticos falando de exílio, amor, guerra e do deserto.

Muitas músicas começam com prelúdios em solos de guitarra lentos e estendidos, que se fundem a batidas tradicionais e hipnóticas, evocando influências berberes e marroquinas. Cantos masculinos envolventes são acrescidos de um par de doces vozes femininas, que lançam as vezes sons agudos e lamentosos produzidos com a língua.

Em “Mano Dayak”, Alhousseyni canta a intrusão sutil do século 21 no deserto sem sombras, mostrando sua perplexidade ao ver um tuaregue falando em um telefone de satélite “amarrado em uma árvore”.

O que alimentou a rebelião dos Tuaregs é o mesmo que falta ainda na suas terras hoje, disse Alhousseyni: uma civilização moderna básica. “Nada de desenvolvimento, de escolas, de água, de professores”, disse ele. “É um mundo perdido”.

6 respostas para Banda de ex-guerrilheiros mostra o que é ser rebelde de verdade

  1. eu quero saber com se faz para ser uma verdadeira rebelde

  2. eu amo vcs mas quero velos de perto

    bjsssssssssssssssss
    amo vcssssssssssssssss
    te amo

  3. lucia dosm santos disse:

    mas isso é uma loucura o rebelde ter acabado.

  4. lucia dosm santos disse:

    mas não acredito que eles vao acabar.

  5. lucia dosm santos disse:

    mas essa banda é demais.

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