Morreu ACM – a família chora e o povo comemora

Link para o Editorial do CMI sobre a morte de ACM

 

Morreu no dia 20 de julho, às 11h30min, de parada cardíaca o senador Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, vulgo ACM. Sua morte abre um período de fragmentação na direita baiana que o tinha como figura unificadora, e coloca um desafio para a esquerda baiana, que substituiu o anticapitalismo pelo anticarlismo. A carreira de ACM foi marcada por um suposto amor à Bahia, materializado no amor às elites baianas e no coronelismo.

Como prefeito biônico de Salvador (1967-1970), promoveu uma verdadeira “limpeza étnica” na Orla da cidade através da erradicação de “invasões” como Bico de Ferro (Pituba) e Ondina para “embelezar” a região para o turismo. Vendeu mais de 25 milhões e meio de hectares de terras públicas a preço de banana para iniciar obras urbanísticas, num processo fraudulento que formou sua base política entre donos de empreiteiras, incorporadoras e imobiliárias. No seu primeiro mandato como governador biônico (1971-1975), indica um aliado (Clériston Andrade) para continuar sua política em Salvador enquanto criava bases no interior do Estado.

Em seu segundo mandato como governador biônico (1979-1983), após um período como presidente da Eletrobrás, já controlava cerca de trezentas prefeituras e a quase totalidade dos deputados federais e estaduais; seus aliados na prefeitura de Salvador continuavam a política de ataque e remoção violenta de comunidades pobres como Cai-Duro, Malvinas, Nova Brasília, além da repressão violenta ao quebra-quebra de 1981 contra os sucessivos aumentos de tarifas de ônibus. Como Ministro das Comunicações no governo Sarney, formou nova força política através do controle de concessões de rádio e TV – incluindo a mudança da retransmissão do sinal da Rede Globo na Bahia para a emissora de sua família, a TV Bahia.

Esteve envolvido em diversos escândalos – como o da violação de sigilo do painel eletrônico do Senado em 2001 e o dos grampos em 2002 – que levaram a sua renúncia ao cargo de Senador para evitar a perda de direitos políticos. Encontrava-se em franco declínio político evidenciado pela eleição de Jacques Wagner (PT). Podemos afirmar que sua morte marca o fim de uma época na Bahia.

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LINKS: ACM – Não gastemos saliva nem papel falando em sua morte | ACM – Uma Trajetória da Ânsia Humana pelo Poder

Quadrinho feito por André Dahmer em malvados.com.br

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