O papel da juventude nas mudanças

Obs: o presente texto foi uma contribuição ao Encontro Regional do MEPR, que ocorreu no ano passado. Eu fiz o texto mas não participei do encontro porque estou fora do ME desde 2005.

A juventude historicamente tem desempenhado um importante papel de mudanças históricas, por sua condição. Da mesma forma por ter tal papel, a juventude tem sido historicamente vigiada e coagida pelas forças reacionárias.

Por juventude ou por jovem, entendemos o que é jovem e que está para chegar a maturidade, entendemos também os seres humanos na faixa etária dos 15 aos 25 anos. No Brasil essa faixa etária chega a 35 milhões de pessoas, um quinto da população total do país. Uma quantia considerável que ainda está para receber uma sociedade pronta da qual pode escolher se adaptar ou adaptar essa sociedade a seus ideais. O que significa dizer que a juventude tem a condição de escolher quais os rumos a serem tomados pela nação.

Vejamos, na esteira dos levantes políticos ocorridos na década de 60, Herbert Marcuse escreveu um livro chamado o Homem Unidimensional. Tal livro denuncia os aspectos totalitários e reacionários da sociedade norte americana e da sociedade soviética pós segunda guerra mundial, nesse período ambas as potências economias e políticas sucumbiram a um processo de produção irracional com vista a um consumo de massas, articulada à publicidade alarmante e massificadora.

Nesses dois modelos de sociedade, o avanço industrial criaria falsas necessidades e dependências ao sistema de consumo. Nesta conjuntura, as organizações de esquerda estariam sendo engolidas pelo capitalismo, vendo-se cada vez mais impotentes frente à eficiência desse sistema em atenuar as contradições de classe existentes na sociedade, criando um homem unidimensional dentro de uma sociedade sem contradições. A saída proposta por Marcuse seria a recusa a essas falsas necessidades e a canalização das insatisfações da juventude em uma força política que faria a mudança, pois a juventude era a faixa etária menos dependente do sistema e menos vulnerável as falsas necessidades criadas pelo
capitalismo.

Do outro lado do mundo, o Partido Comunista da China publicava o Livro Vermelho de Mao e as organizações de esquerda distribuíam versões de bolso do Manifesto Comunista pelo globo. O impacto dessas publicações geraram o turbilhão jovem que varreu os EUA, a América Latina e a Europa nas décadas de 60 e 70.

Na França pré-68 esses 3 livros eram os mais vendidos, ficando conhecidos com os 3 Ms. Foram essas as publicações que deram fundamentos para o Maio de 68, que se iniciou em Paris quando os estudantes se levantaram contra a reforma reacionária do ensino proposta pelo governo francês. Tal indignação foi a faísca para levantes em toda a Europa, parando a França inteira, posteriormente a Alemanha e a Inglaterra

Nos EUA, a Guerra do Vietnam era usada como pretexto para se realizar uma limpeza étnica no país, mandado os jovens negros para morrerem numa guerra estúpida criada por uma elite racista. Nessa conjuntura surgem os Panteras Negras, uma organização maoísta formada por jovens da classe negra oprimida. A proposta dos Panteras Negras era se organizarem e agirem como os vietcongs para derrotar seu inimigo em comum, o Imperialismo Ianque.

No Brasil, sobre o julgo de uma ditadura, os jovens trabalhadores e os estudantes formavam a maior força de oposição ao regime, já que as organizações classistas se encontravam fechadas e a esquerda estava dividida. A revolução cubana, uma revolução organizada por estudantes liderados por Castro e Che, serviram de inspiração para os jovens latinos se rebelarem contra as ditaduras implantadas pelos ianques. Nessa época, o exemplo de Che que morreu pela revolução e seus escritos deram o suporte ideológico aos enfrentamentos políticos e militares travados pela juventude frente ao regime ditatorial no Brasil e por toda a América Latina.

Na China, os estudantes protagonizaram a revolução mais polêmica já feita no mundo, a Revolução Cultural. Um levante contra a burocratização do Partido Comunista da China. Em tal evento o Livro Vermelho de Mao desempenhou o papel de fundamentar a indignação do jovem frente a sociedade que o oprimia. Dado a condição da juventude de ser menos dependente do sistema, seja qual for.

A sorte está lançada!

Os fatos expostos que ocorreram no século passado somados a atual falta de perspectiva imposta a juventude abre dois caminhos a serem percorridos. De uma lado temos o discurso reacionário vendido pelo mercado e imposto pelo Estado reacionário, onde a função da juventude seria a de futuro da nação sendo exército de reserva dentro do mundo do trabalho, transformando o jovem em apenas um profissional a seguir uma carreira, a estar apto a competição e as interpéries do mercado: desemprego, má remuneração e nenhum perspectiva. Do outro lado temos a juventude como faixa etária que mais contingente populacional abrange a nação brasileira, que é menos dependente do sistema e seus consensos, que pode se tornar a maior força política apta para tocar um processo revolucionário, mas que ainda não se
deu conta de seu potencial.

Temos esses dois caminhos para escolhermos e percorremos, dentro de um contexto conturbado e confuso. Em um contexto de aprofundamento do capitalismo no Brasil, de divisão das forças de esquerda e de um governo de frente popular que tem como maior trunfo a anestesia dos movimento populares criada por uma direção oportunista e pelega. É nesse contexto que a juventude deve eleger para si o papel de força política que tocará os processos de mudança, passando por cima das entidades pelegas e governistas, se organizando através do movimento estudantil independente e radical, pois a função do movimento estudantil e o fundamento de sua existência é a organização e politização do corpo estudantil e de jovens trabalhadores através das discussões, dos encontros estudantis sérios e dos atos de rua.

No começo seremos poucos e seremos acusados por oportunistas e reacionários de sermos sectários, de não construirmos a unidade. Seremos coagidos pelas forças reacionárias dada a ameaça que somos. Seremos caluniados pela mídia burguesa e desacreditados pela esquerda reformista, que no Maio de 68 em Paris – França, que durante a Guerra no Vietnam nos EUA, que na morte de Che, que na Revolução Cultural, que durante a ditadura militar no Brasil calou e se conformou com a situação imposta.

Complemento:

Herbert Marcuse (1898/Berlim -1979/Frankfurt) se tornaria conhecido no Brasil a partir de meados dos anos 60, na esteira do movimento de rebeldia que culminaria nos conhecidos eventos de 1968. O contato com o então professor de filosofia no Campus San Diego da Universidade da Califórnia – a seguir convertida em palco da resistência a presença norte-americana na Guerra do Vietnã – se daria sobretudo pelos seus últimos textos. Esta sua obra seria muitas vezes designada como “contracultural”, resumindo-a aos propósitos de legitimar a rebelião, canalizando as insatisfações de um modo vago contra a formação social capitalista. Marcuse parece, para utilizarmos urna definição de Rosa Luxemburgo a respeito de si mesma, fazer parte de uma outra espécie zoológica. Nesta era libera1-conservadora em que antigas notabilidades de esquerda, em nome da inevitabilidade da modernização capitalista, aderiram cínica e alegremente ao partido da ordem, o intelectual Marcuse continua a impressionar por sua integridade política e moral, pela busca sem tréguas de respostas ao problema da dominação no mundo contemporâneo.

Mao Tsé-tung nasceu em 26 de Dezembro de 1893 e faleceu em 9 de Setembro de 1976. Mao Tsé-tung foi teórico marxista, político, revolucionário, poeta, soldado e governante comunista da República Popular da China. Empreendeu 3 revoluções na China: a Democrática; a Socialista e a Cultural. Seu escrito mais conhecido é o Livro Vermelho de Citações, um dos livros mais lidos no mundo.

Maio de 68 foi uma greve geral acontecida na França. Rapidamente ela adquiriu significado e proporções revolucionárias, mas em seguida foi desencorajada pelo Partido Comunista Francês, e finalmente foi suprimida pelo governo, que acusou os Comunistas de tramarem contra a República. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, por que não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade.

Uma resposta para O papel da juventude nas mudanças

  1. THIAGO disse:

    esse site é simplismente d`mais

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