e mais um pouco de polêmica…

Entrevista censurada para a Revista ShowBizz (1997)

“Eu me sinto um E.T.”

Quize anos de estrada, convites (recusados) de gravadoras multinacionais, primeiro grupo a receber um disco tributo ainda na ativa, disco novo na praça, a crítica babando em cima, distribuição mundial pela Rough Trade, o Dorsal Atlântica é a maior banda de Heavy Metal do Brasil. Heavy Metal? Isso ainda existe? É o que o repórter Bizz foi peguntar pra Carlos Vândalo, que aproveitou a deixa, abriu a caixa de ferramenta e não poupou nem seus ex-pupilos de Sepultura.

O Heavy Metal é um estilo ultrapassado?

O último Hollywood Rock levou um público médio de 40 mil pessoas aos estádios. O Monsters of Rock leva muito mais gente aos estádios que os festivais de outros gêneros.

É verdade que só em São Paulo há três abaixo-assinados para o Dorsal tocar no próximo Monsters of Rock?

Sim. O público do Dorsal seria ainda maior se não trabalhássemos com uma produtora independente, coisa que sempre fizemos questão de fazer.

Por que?

Por causa da liberdade de, por exemplo, continuar tocando Heavy Metal, coisa que o mercado quer teimar fazer obsoleto. Para não precisar colocar tambor e índio no meu disco. Para nunca ter que vestir bermudão de skatista nem virar lutador de jiu-jitsu.

Você está falando do Sepultura. Você não acha enriquecedora a experiência deles com elementos da música brasileira?

Eu não tenho dúvidas que no fundo, o álbum Roots foi o verdadeiro responsável pela crise na banda. Eles abriram as pernas para o que chamam de “Modernidade”. Não sei se por dinheiro ou ingenuidade.

Você acha que o artista não deva modernizar o seu som?

Não acho nem um pouco moderno a mistura que a geração 90 faz. Chico Science é uma merda. Eu ouço Funkadelic, leio Machado de Assis, assisto Bergman e voto na esquerda. No meu trabalho, todas essas influências estão claras sem eu precisar apelar pra grosseria. Isso é desrespeito, é chamar o público de idiota.

Você costuma dizer nos seu shows que “Dorsal não é moda, Dorsal é Foda”. Porque essa implicância com a geração 90?

A mensagem da geração 90 é: fume maconha que você vai provar seu grau de liberdade! Ou: coma muitas bocetas que você vai provar que é macho!

Mas o público dessa geração redescobriu a música brasileira por causa dessas bandas.
Se você pergunttar para algum deles se gostam de Paulinho da Viola eles vão achar o máximo. Não têm idade nem neurônio para lembrar que, na virada dos anos 60, ele participou da passeata contra a guitarra! O público Heavy é menos alienado que o público da moda.

Seu discurso anti-drogas é muito parecido com o dos straight-edge, movimento do rock “careta” liderado pela banda Fugazi. Você também é contra as drogas?

Sim, por isso o disco se chama Straight. Veja o caso dos “ícones” Marylin Monroe, uma viciada em bolinha porque não conseguia achar um piru que a satisfizesse, e o James Dean, um viadinho que enchia a cara, ficava putinho e ia a mil por hora num porsche. Foi por causa da Heroína que o Kurt Cobain não agüentou o tranco de ser regido pelas regras do mercado. A lista de covardes é interminável. Vai de Raul Seixas a Janis Joplin. Eu não sou contra quem usa as drogas, só não respeito quem as usa.

É verdade que você estuda astrologia?

Eu sempre fui interessado em espiritualidade. Mas não recomendo nenhuma religião. Muito menos livros espiritualistas escritos dos anos 60 pra cá.

Straight é um disco extremamente agressivo e complexo.

Por isso escolhi o Paul Johnston (produtor das bandas Napalm Death, Terrorvision…) para trabalhar nesse disco. Queria um produtor “virgem”, que apenas executasse bem minhas idéias sem meter a mão no trabalho. Veja que os discos aclmados pela crítica ano passado são trabalhos conjuntos de banda e produtor. O músico perde autoridade quando entra no grande mercado. Eu quis que Straight fosse um disco íntegro.

retirado de www.dorsalatlantica.com.br

Frederico – frederico@tribunadorock.com

Uma resposta para e mais um pouco de polêmica…

  1. diego ventura disse:

    vcs

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