PRODUTOR.INFO

7 de novembro de 2008

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Comentário tardio sobre o Festival de Cinema do Paraná

2 de novembro de 2008

No dia 28/10/2008, foi postado no Blog Central de Cinema, de responsabilidade do jornalista e “crítico” de cinema Paulo Camargo, uma nota da AVEC e da SIAPAR contestando algumas declarações da Ittala Nandi. Nos comentários temos algumas considerações do João, que por incrível que pareça está defendendo parciamente a Coordenadora da CINETVPR.

Ao meu ver, digo isso pessoalmente, o Festival poderia ter sido muito melhor do que foi. Poderia ter se evitado muitos furos se houvesse vínculo maior com a CINETVPR, em especial com o curso de cinema. Por exemplo, se houvesse uma melhor integração com os alunos, com certeza o Seminário Cinema Que Pensa teria sido mais proveitoso. Apesar das falas mal preparadas dos convidados, da falta de foco e do excesso de convidados, de ter sido desmarcado na sexta de manhã para que o filme Mistéryos tivesse a projeção arrumada, o Seminário foi a melhor coisa que aconteceu.  Valeu muito a pena e espero que seja tradição no Festival!

Quem não teve a mesma sorte foi a equipe do filme, que amargou uma projeção horrível e, mesmo com todo o frisson curitibano (com os amigos e parentes da equipe de produção do filme se expremendo pra ver o filme) que o filme criou, não conseguiu emplacar o prêmio do júri popular. Mistéryos tem muitos méritos e só levou um prêmio nesse festival, justamente o prêmio que não merecia que é o de melhor direção (o maior prêmio R$ 110.00,00). Mereceria o prêmio de melhor filme, melhor montagem, melhor música, melhor som, melhor fotografia, melhor ator, melhor atriz coadjuvante, mas na direção deixou a desejar. Tudo se sobressai no filme, menos a direção. Assisti o filme e não conseguir entrar nele, cheguei a dormir em algumas partes, o final foi enfadonho. Não foi agradável ficar 80 minutos vendo esse filme, parecia umas 3 horas de monotonia sem fim. Pretendo assisti-lo novamente, pra ver se mudo de opinião. Talvez o prêmio de melhor direção tenha sido dado para compensar esses furos e não por motivos políticos (para fortalecer o edital estadual de longa-metragem).

Por fim, tivemos um Festival que apesar de oferecer prêmios endinherados não conseguiu a projeção que pretendia. Infelizmente a escolha por prêmios fartos ou invés de qualidade no que é projetado na tela prejudica – e em muito – a continuidade do Festival.


O Projeto Olho Vivo não precisa desse tipo de marketing oportunista

2 de novembro de 2008

No portal Paraná-Online tem uma entrevista com a diretora de cinema e professora da CINETVPR, Maria Augusta Ramos. Na apresentação da entrevista encontra-se a seguinte pérola:

“No último dia 27, Maria Augusta Ramos veio da Holanda a Curitiba para participar do 1.º Encontro Ficção Viva, que visa trazer profissionais de destaque no cinema latino-americano para debater suas produções e processos criativos.”

É lamentável quando um projeto sério, como é o Olho Vivo, se perde com sua asessoria de imprensa. Afinal, o que importa se a diretora veio da Holanda? Seria isso um padrão de qualidade dela ou do Projeto Olho Vivo? Outro fato que realmente lamento é que quem trouxe a diretora para a cidade foi a CINETVPR, afinal ela é parte do corpo docente do curso e nem uma linha foi dita a esse respeito.


O poderoso Zé do Caixão

12 de outubro de 2008

Atenção
Alteração de Programação no dia 12/10 – Domingo

Em virtude da grande procura pela oficina Cinema Maldito ministrada pelo diretor José Mojica Marins, transferimos o local de sua realização para o Auditório Poty Lazarotto.

Sendo assim, a Mostra CINETVPR programada para as 16 h ocorrerá a partir das 19h no mesmo auditório.

fonte: http://www.festivaldecinema.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=87

A partir da semana que vem irei publicar as minhas impressões sobre o festival. Pelo menos as coisas tem esquentado no MON, nos últimos dias. O Seminário Cinema Que Pensa e a presença de Mojica tem contribuido para isso. Até o frio e a chuva tem dado uma trégua.


Após dois dias de Festival, um clima morno paira no MON

8 de outubro de 2008

Dessa vez a organização do Festival está melhor que a do ano passado. A equipe, formada por estudantes e funcionários da CINETVPR tem conseguindo diminuir os estragos resultantes dos desmandos de Ittala Nandi. A começar pelas péssimas escolhas de filmes feitas pela comissão de seleção e as mudanças de última hora feitas na programação do Festival.

Até agora o único longa que assisti e que gostei foi o Pachamama de Eryk Rocha, que por sinal estava sendo exibido como Hor Concours. Dos curtas não posso dizer nada, pois ainda não consegui assistir nenhum. O horário de exibição é péssimo e a grade da programação de filmes foi montada nas coxas, nem a temática, proposta ou o tempo dos filmes bate. Além disso a mostra Glauber é em DVD, exibido em datashow. Uma atitude oportunista, pois consta no catálogo que a exibição é em película.

O MON é um péssimo lugar para se realizar um festival de cinema, é distante e isolado. O acesso de ônibus é difícil, não tem opções de alimentação e o auditório não foi feito para projeção de filmes. Apesar disso, uma quantia considerável de 200 pessoas tem comparecido diariamente ao festival. O que é um fato positivo, levando em conta a divulgação pífia.

O mais engraçado é o discurso oficial de conveniência da organizadora. Na véspera falava que a Escola é uma coisa e o Festival é outra. No dia da abertura teve que fazer coro com o Governador e afirmar de pés juntos e várias vezes que o Festival é parte da Escola. Pois bem, da próxima vez seria interessante que a organizadora fomentasse a participação dos estudantes do curso e dos realizadores locais, sem convites pessoais e trocas de favores. Transparência e impessoalidade são princípios basilares para a realização de eventos financiados com verba pública.


Decreto dá à Ancine poder de multar canais de TV paga

3 de outubro de 2008

Na última quinta-feira, o Diário Oficial da União publicou os procedimentos para aplicação de penalidades por infrações cometidas nas atividades cinematográficas e videofonográficas, informou a Agência Brasil. De acordo com o Decreto n.º 6.590, compete à Agência Nacional do Cinema (Ancine) fiscalizar a produção e aplicar as penalidades, quando necessárias.

As novas normas atingem em cheio os canais de TV por assinatura que, a partir de agora, devem passar de antemão o cronograma de sua programação à Agência. Além disso, a Ancine pode punir as empresas que não usarem o Sistema de Controle de Receitas sobre as Vendas para a distribuição de suas obras audiovisuais. São também candidatas à punição, as emissoras que exibirem produções sem que tenha havido o recolhimento prévio e regular da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine).

As sanções e os valores das multas variam de acordo com a infração. São considerados agravantes a recusa em adotar medidas para reparação dos efeitos da infração; a imposição de obstáculos ou embaraços de qualquer espécie à fiscalização realizada pela Ancine; a sonegação ou prestação de informação errônea, visando obter vantagens e o não-atendimento das determinações estabelecidas em procedimento de averiguação.

Fonte: Portal Imprensa


3º Festival de Cinema do Paraná

1 de outubro de 2008

Antes de prosseguir a leitura desse texto, peço que os internautas acessem esse Blog.

Nessa semana o tema polêmico “Indústria dos Festivais” está em pauta na comunidade cinematográfica. A polêmica foi iniciada com a declaração do cineasta Luis Carlos Barreto, vulgo Barretão:

“O Brasil gastou neste ano mais de R$ 70 milhões nesses eventos, dinheiro captado por lei de incentivo que poderia ter sido investido em dezenas de filmes”, afirma o produtor Luiz Carlos Barreto. “É uma verdadeira indústria e uma concorrência predatória com os cineastas.”

Levantamento da entidade mostra que há mais de 40 festivais, “alguns até em cidades ribeirinhas do Amazonas”. “Temos que acabar com essa farra. Não podemos apoiar qualquer biboca por aí” (…)

A única entidade que se manifestou contra foi o Fórum dos Festivais, segue um trecho da resposta:

“O FÓRUM DOS FESTIVAIS – Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais AudiovisuaisBrasileiros, vem a público repudiar veementemente os termos da declaração do produtor Luiz Carlos Barreto sobre os festivais brasileiros de cinema. Tal declaração demonstra uma completa falta de conhecimento do setor de festivais de cinema, que contribui vigorosamente para o processo de democratização do acesso da sociedade aos filmes nacionais, atraindo um público de mais de 2 milhões de espectadores ao ano.”

continua…

Os meios de comunicação do cinema calaram frente a essa declaração, não se encontra nada da Revista de Cinema, nas colunas sobre cinema e etc. A polêmica levantada pelo cineasta se repercutida e debatida pode ser o início de marco para a criação de critérios para os festivais que recebem dinheiro público. A cifra estimada é grande, dá pra produzir de quase 70 longas em baixo-orçamento, 10 com o orçamento máximo permitido pela ANCINE e uns 20 ou 30 com o orçamento padrão.

Porém, o debate não pode ficar restrito ao dinheiro público investido nos festivais, é importante saber qual a sua importância dentro do panorama cinematográfico atual, ou melhor, dentro de uma perspectiva de cinema como um indústria estratégica dentro de um projeto de nação e independência cultural

No Paraná, se inicializa-rá na próxima segunda-feira, dia 06/10/2008, o 3º Festival de Cinema, evento integrante do Projeto Técnico de Governo CINETVPR, o qual contempla um curso superior de cinema e um instituto responsável em fazer co-produções de filmes. Esse tripé tem por finalidade a implementação de um pólo. Nesse contexto vejamos o que a curadora do Festival do Paraná diz a respeito das declarações do cineasta Luis Carlos Barreto:

Querida Rô,

“A discussão sobre a proliferação de Festivais no Brasil, é bastante oportuna e interessante, pelo menos para o Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino. Como realizadora deste festival que a partir da próxima semana dia 6 à 12, em Curitiba, vejo-me na obrigação de dar uma contribuição sobre. A poucos dias escrevi para você falando da precariedade das programações e dos poucos cinemas existentes nesta capital do Paraná. Falei também sobre o fato deste rico estado ser um dos últimos a receberem programações de qualidade, principalmente do nosso cinema brasileiro e em consequencia desde ” abandono” cultural ligado ao audiovisual, vejo uma comunidade que acredita no cinema como um ser em extinção, e nós sabemos perfeitamente que não é essa a verdade.

3o. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino”

Nesse sentido o 3o. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, está não só motivando, incentivando mas iluminando uma comunidade que se encontrava à parte do moderno, a parte do caminho da luz do cinema e massacrada pela televisão.

(…)

Em apenas 3 anos já se pode perceber o grande movimento cinematográfico que iniciou com a CINETVPR Escola Superior Sul Americana de Cinema  e TV do Parana, o referido festival da qual sou curadora e o já existente Instituto Audiovisual do Paraná, que antes do final do mandato do Governo Roberto Requião estará produzindo cinco longas metragens

Abraços.

Ittala Nandi

Realizadora

As considerações da realizadora são bastante contraditórias e sem contexto. Por exemplo, independente da qualidade do CINEPLEX BATEL – que tem salas horríveis, está passando passa o filme Lady Jane de Robert Guédiguian. Em compensação esse filme ainda não estreou em São Paulo.

Não vejo a vida cultural de Curitiba como ótima. Muito pelo contrário, a critico muito, mas para o tamanho da cidade e do seu contexto cultural e econômico as coisas tem se desenvolvido nos últimos anos. Em certa medida, as afirmações de seu comentário tem uma parcela de verdade. Sim, a CINETVPR tem ajudado bastante o cinema local se desenvolver.

Porém, esse não é o fator determinante, existem outros programas e projetos sendo encaminhados paralelamente. A Fundação Cultural de Curitiba tem melhorado o seu programa de fomento a produção e outras frentes tem sido abertas. O projeto CINETVPR poderia ter tido muito mais eficácia, se a pessoa que o coordena tivesse um mínimo de discernimento no que diz respeito as políticas públicas e a coisa pública, se não ficasse fazendo constantemente o seu marketing pessoal e praticasse uma coisa que se chama autocrítica.

Veremos se o 3º Festival de Cinema do Paraná irá cumprir as espectativas que a sua curadora propagandeia e se o que o Barretão tem afirmado é verdade. A partir de hoje, iniciarei um cobertura parcial sobre o “Fest Paraná”, para não dizer “Fest Ittala” como localmente tem se falado.

Entenda-se parcial no que diz respeito a um entendimento de cinema como uma política estratégica de projeto de sociedade. Entendimento que falta a classe cinematográfica atual, que tem uma visão neoliberal e pequeno burguesa ao utilizar verba pública para realizar seu sonho pequeno burguês de ser cineasta.