Nem estreou no circuito comercial, o filme Tropa de Elite já está gerando polêmica. O BOPE – Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro tentou impedir a exibição do filme nos cinemas recorrendo à Justiça, mas ainda não conseguiu. O filme em questão já foi visto por milhões de pessoas através do comercio informal de DVDs.
O vazamento de uma versão prévia da edição, ou seria o copião digital 03 (?), consolida o que convêm chamar de filme de morro. Filmes, que contenham muita ação e violência urbana, que falam sobre os morros do Rio de Janeiro. Vide os exemplos: Notícias de uma Guerra Particular; Cidade de Deus; Cidades dos Homens; Tropa de Elite. Nas ruas e nos terminais de ônibus, já se pode adquirir em DVD o Tropa de Elite 2 e 3.
A dita segunda continuação é o documentário Notícias de Uma Guerra Particular de João Moreira Salles, lançado em 1999, que mostra um panorama caótico do problema do tráfico nos morros do Rio em 1997 e 1998; a terceira continuação eu ainda não sei qual é, mas palpito o nome de outro documentário ou melhor, vídeo propaganda, o Wardogs. Agora tem que ver se é o filme original feito por um norte americano ou se é outro filme feito com imagens da TV e amadoras contendo incursões da PM nos morros.
O que mais me preocupa é o fato que esses filmes tiveram notoriedade por tratarem de assuntos violentos e de forma violenta. Outros filmes que também falam do morro não conseguiram a mesma notoriedade por tratarem de outros assuntos, que não a violência. Outro ponto preocupante é a mensagem do Tropa de Elite, ele é uma boa propaganda para o fascismo. Como disse o Professor Pedro Camargo, em aula na CINETVPR, “a cena do enterro onde a bandeira do BOPE é sobreposta à bandeira do Brasil é preocupante. Um facção se sobreponto a um país”.
Nem só de apologia ao fascismo é feito o filme. Ao meu ver, a crítica feita aos universitários é muito válida. Nunca vi um filme retratar tão bem esse estrato social, o seu estilo de vida fútil e banal, o seu pedantismo e a falta de responsabilidade com os seus atos, além do individualismo hendonista.A situação do Mathias dentro da PUC, um universitário negro e pobre que, ainda por cima, é PM e tem que encarar os filhos da burguesia em sua creche pra adulto é muito foda! Me lembrou dos meus tempos de faculdade de direito, testemunhei várias situações similares.
Infelizmente o meio universitário ainda é elitista e programas como o Prouni não resolvem a questão, pois não ampliam o acesso nas públicas. As cotas não resolvem, são meros remédios conjunturais à exclusão da educação. A grande questão é um ensino médio e técnico público de qualidade nos moldes do CEFET, a universalização dessa oferta no período noturo para os estudantes que trabalham, uma vez que hoje a maioria dos estudantes também são trabalhadores.
Frederico
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