Posts de Julho, 2007

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Morreu ACM – a família chora e o povo comemora

Julho 21, 2007

Link para o Editorial do CMI sobre a morte de ACM

 

Morreu no dia 20 de julho, às 11h30min, de parada cardíaca o senador Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, vulgo ACM. Sua morte abre um período de fragmentação na direita baiana que o tinha como figura unificadora, e coloca um desafio para a esquerda baiana, que substituiu o anticapitalismo pelo anticarlismo. A carreira de ACM foi marcada por um suposto amor à Bahia, materializado no amor às elites baianas e no coronelismo.

Como prefeito biônico de Salvador (1967-1970), promoveu uma verdadeira “limpeza étnica” na Orla da cidade através da erradicação de “invasões” como Bico de Ferro (Pituba) e Ondina para “embelezar” a região para o turismo. Vendeu mais de 25 milhões e meio de hectares de terras públicas a preço de banana para iniciar obras urbanísticas, num processo fraudulento que formou sua base política entre donos de empreiteiras, incorporadoras e imobiliárias. No seu primeiro mandato como governador biônico (1971-1975), indica um aliado (Clériston Andrade) para continuar sua política em Salvador enquanto criava bases no interior do Estado.

Em seu segundo mandato como governador biônico (1979-1983), após um período como presidente da Eletrobrás, já controlava cerca de trezentas prefeituras e a quase totalidade dos deputados federais e estaduais; seus aliados na prefeitura de Salvador continuavam a política de ataque e remoção violenta de comunidades pobres como Cai-Duro, Malvinas, Nova Brasília, além da repressão violenta ao quebra-quebra de 1981 contra os sucessivos aumentos de tarifas de ônibus. Como Ministro das Comunicações no governo Sarney, formou nova força política através do controle de concessões de rádio e TV – incluindo a mudança da retransmissão do sinal da Rede Globo na Bahia para a emissora de sua família, a TV Bahia.

Esteve envolvido em diversos escândalos – como o da violação de sigilo do painel eletrônico do Senado em 2001 e o dos grampos em 2002 – que levaram a sua renúncia ao cargo de Senador para evitar a perda de direitos políticos. Encontrava-se em franco declínio político evidenciado pela eleição de Jacques Wagner (PT). Podemos afirmar que sua morte marca o fim de uma época na Bahia.

CMI no Ar: Clique aqui para ouvir

LINKS: ACM – Não gastemos saliva nem papel falando em sua morte | ACM – Uma Trajetória da Ânsia Humana pelo Poder

Quadrinho feito por André Dahmer em malvados.com.br

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Até agora o melhor posicionamento em relação a tragédia da TAM

Julho 20, 2007

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Quando o Paraná é destaque nacional

Julho 12, 2007

Grande engano meu ao pensar que morando em Curitiba teria a possibilidade de troca cultural, ou acúmulo pessoal, após a vivência nessa localidade. Se Joinville, cidade onde nasci, é uma colônia dominada por uma meia dúzia de famílias nazistas. Curitiba, por outro lado, é dominada por outra meia dúzia de sionistas tão reacionários quanto. Além do conservadorismo local, aqui impera algo que consegue ser pior: o provincianismo.

Tal provincianismo é produzido pela a elite feudal, pilantra (alias toda a elite é pilantra); reproduzida pela pequena burguesia tapada (eles sempre são tapados); e empurrada para a classe trabalhadora miserável (sempre explorada). As pessoas daqui não tem estima própria, não valorizam a sua cultura, são pedantes e tentam ostentar valores culturais de outras localidades. O Paraná até hoje não conseguiu emplacar um escritor, um músico, um artista e um cineasta em nível nacional. Mal conseguiu emplacar um Ministro, tem um que foi escolhido por ser fiel as orientações do PMDB de São Paulo e outro por questões de legenda do PT.

O mais próximo que se chegou de um escritor de destaque nacional é o curitibano Dalton Trevisan, que escreve contos falando mal daqui. Seu trabalho teve destaque primeiro lá fora e depois aqui. O mais próximo que se chegou de um músico de destaque foi o Arrigo Barnabé de Londrina, que teve que ir para São Paulo fundar a Vanguarda Paulista, mas que na verdade foi concebida aqui. O máximo que se chegou de um cineasta de destaque nacional foi o Silvio Back, que é de Blumenau – Santa Catarina e começou fazendo filmes aqui, depois foi para o Rio de Janeiro. Outro exemplo é o Sérgio Bianchi, que nasceu em Ponta Grossa, mas só fez filmes por São Paulo. Nossos intelectuais só tem destaque fora do Paraná, pois se permanecerem aqui morrem no ostracismo.

Mas existem outras formas do Paraná ter destaque nacional e internacional, veja as recentes notícias: (i) juiz do trabalho de Cascavel que não realizou a audiência porque o autor da ação estava de chinelo; (ii) o pai de um jovem de 20 anos, que foi detido pela polícia por ter dirigindo alcoolizado, se negou a pagar a fiança de 500,00 reais e ainda por cima disse na mídia que a permanência na cadeia serviria de lição; (iii) a libertação de 28 escravos em plena Região Metropolitana de Curitiba, ação feita por uma força tarefa de Brasília com apoio da DRT do Paraná.