Posts de Março, 2007

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Curso de Ciência Política do Dr. Gori

Março 27, 2007

Como Requião e Lerner, Beto Richa fez curso de ciência política com o Doutor Gori.

Assista o vídeo e saberá do que estou falando, ainda mais agora que estão ressuscitando o título de capital ecológica para Curitiba.

Curso de Ciência Política com Dr. Gori – Parte 01

Curso de Ciência Política com Dr. Gori – Parte 02

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A mídia é preconceituosa com o povo

Março 25, 2007

No dia 14 de março, caiu na região de Maracangalha, município de São Sebastião do Passé na Bahia um avião de transporte bimotor levando um malote em dinheiro com a quantia de 5,56 milhões de reais. A queda do avião foi sobre uma comunidade carente localizada a 300 metros de um acampamento do MST.

Se fosse novela acharíamos um exagero do dramaturgo, já que ao cair o avião promoveu uma verdadeira chuva de dinheiro sobre essa comunidade. Não bastando esse fato nada comum, no dia seguinte a favela é sitiada por falsos polícias que de forma violenta invadem o local em busca do dinheiro. Somada a essa violência e brutalidade, os falsos policiais aproveitaram o assalto para roubar os próprios moradores, levando toda a quantia em dinheiro que eles dispunham mais eletrodomésticos e outros bens de valor.

Desesperados com a situação, os moradores vão ao acampamento do MST pedir ajuda aos camponeses sem terras e esses de pronto prestam a solidariedade, abrigando os moradores em seu acampamento e posteriormente organizando vigílias de turnos de 4 horas para proteger tanto o acampamento como os barracos da comunidade que tinha sido invadida pelos falsos policiais.

Se não bastasse o ostracismo da mídia frente a esse ato de bravura e coragem dos camponeses, que tomaram para sí o papel fundamental do Estado, ou seja, o papel de garantir o mínimo de segurança e pacificação para seus cidadãos, a mídia num ato preconceituoso e canalha noticiou o fato com as seguintes manchetes: Cresce o acampamento do MST onde caiu o avião com dinheiro na BA ou simplesmente “Cresce o acampamento do MST onde caiu o avião”.

Isso sem contar que só confirmaram o assalto aos moradores do local porque a polícia está realizando uma operação com mais de 200 homens para localizar o dinheiro. Porém a violência sofrida pelo o povo não conta com o empenho demonstrado pelo poder público, já que a invasão feita pelos bandidos é uma denuncia que está sendo apurada. Por parte da mídia o foco foi dado na aumento do acampamento do MST que passou de 40 pessoas para 150 pessoas, já que os moradores locais se sentem mais seguros no acampamento do que em suas casas.

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O Comentário sobre a CPI das “Invasões”

Março 22, 2007

Como está escrito no site da Câmara Municipal, a CPI já começa a gerar os efeitos esperado pelos que a patrocinaram, digo isso citando o comentário do seu presidente o Vereador Tico Kuzma do PPS: “Hoje, parabenizamos a Secretaria de Segurança do Paraná, por proporcionar o respaldo necessário a esses proprietários”.

O Vereador se refere a agilidade do poder executivo estadual em cumprir as ordens de despejos pedidas pelos supostos proprietários. O ritmo é intenso, os despejos são constantes, sem discussão e sem contraditório para os despejados.

Acontece que a mídia não revela o outro lado da questão, me refiro ao fato de que os maiores “invasores” de Curitiba são as imobiliárias com a sua política de especulação imobiliária, com sua política de erguer muros de seus condomínios fechados em áreas de manancial, ou em áreas públicas, quando avançam a demarcação do terreno desses prédios, erguendo seus muros sobre calçadas ou praças públicas, um verdadeiro esbulho do patrimônio público.

Para saber mais: Começa a CPI das “Invasões” em Curitiba

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Bin Laden cinquentão

Março 11, 2007

Nem integrantes da Jihad nem Bush têm interesse em provar a morte do criador da Al-Qaeda. Vivo ou morto ele continua a influenciar

Walter Fanganiello Maierovitch

Caso esteja vivo, Osama bin Laden completará 50 anos no sábado, 10 de março. Para os 007 da espionagem norte-americana, a reorganização dos talebans e da Al-Qaeda, a partir do sul do Afeganistão, onde se concentra o plantio de ópio controlado por chefes dos clãs chamados “Senhores das Guerras”, é obra de gestão com digitais de Bin Laden e execução entregue ao mulá Mohammed Omar, seu sogro.

Pelo jeito, Bin Laden sobreviveu no curso dos seis anos da tomada do Afeganistão pelas forças aliadas. O engano de Bush acabou dispendioso financeiramente: o xeque saudita, ao que parece, não estava escondido nas cavernas da região montanhosa de Tora-Bora, submetida a ataques com bombas penetrantes no solo, de última geração.

Caso entocado em Tora-Bora, Bin Laden não teria a mínima chance de sobreviver. Dos pedaços de corpos encontrados e submetidos a exames de DNA, nenhum pertencia a ele.

Com muitos apelidos e “aliases”, como Príncipe da Morte, Hajj, Mujahid Shaykh, Emir, Abu Abdallah, Director, o fundador da Al-Qaeda, constituída em 1988, conseguiu introduzir e espalhar pelo planeta, depois dos ataques às torres gêmeas de Nova York e ao Pentágono em Washington, o sistema de franchising do terror.

Por meio de tradição oral, todos os jihadistas sabem que as células da Al-Qaeda têm liberdade operacional e vida própria. No entanto, elas ficam sujeitas ao controle ideológico do leadership Bin Laden e do segundo homem na hierarquia, o egípcio Al Zawahiri. A respeito, foi significativo o puxão de orelha dado em Al Zarquawi, então chefe da Al-Qaeda do Iraque: seu sucessor está sob silêncio obsequioso, para usar uma linguagem vaticana.

Embora com a cidadania saudita caçada e visto como deserdado pela riquíssima família Laden, ligada à nobreza da Arábia Saudita, a CIA sempre desconfiou, mas nunca comprovou, que Bin Laden recebia muito dinheiro dos parentes. Só com a herança do pai, um construtor nascido no Iemên do Sul e que caiu nas graças da família real, embolsaria estimados 300 milhões de dólares, mas só teria conseguido pôr as mãos em 25 milhões de dólares. E 25 milhões de dólares é a quantia oferecida pelo ex-presidente Bill Clinton pela sua cabeça.

Formado em economia, gestão administrativa e engenharia civil, Bin Laden sempre soube engendrar operações financeiras, sem deixar rastro. Aliás, aprendeu com a CIA como evitar o rastreamento de capitais: recebeu milhões de dólares da agência americana na luta de expulsão dos soviéticos do Afeganistão.

Sem problema de caixa, Bin Laden executou os ataques espetaculares, no mesmo dia 7 de agosto de 1998, às embaixadas norte-americanas em Nairobi (Quênia) e em Dar Es-Salaam, na Tanzânia.

Com o prestígio de quem mandou explodir duas embaixadas e foi expulso do Sudão por pressão norte-americana, Bin Laden qualificou-se e foi um dos cinco signatários, no mesmo ano dos ataques, da fatwa, ou seja, do decreto-compromisso de eliminação de judeus e cristãos e, de quebra, de eliminação dos norte-americanos, civis ou militares, e aliados. Aí, ele se aproximou do fanático médico Zawahiri, membro fundador da Irmandade Islâmica egípcia e hoje segundo na hierarquia da Al-Qaeda.

Nos 50 anos de Bin Laden, a verdade é que nem jihadistas nem o governo Bush têm interesse de sustentar ou comprovar que ele está morto.

A última aparição de Bin Laden ocorreu em 29 de outubro de 2004, em vídeo exibido pela televisão Al-Jazzira, do Catar. Segundo a leitura dos analistas do Pentágono, o saudita, pela primeira vez, admitiu haver planificado e apoiado os covardes ataques de 11 de setembro de 2001.

É bom lembrar que o vídeo foi exibido às vésperas das eleições presidenciais nos EUA e só favoreceu o candidato George W. Bush, que tinha como bandeira de campanha a luta permanente e sem fronteiras contra o terrorismo internacional. No momento e para o governo Bush, o xeque saudita “não é mais tão importante e Bin Laden representa apenas uma parte do problema”.

Para a causa dos jihadistas é suficiente acreditar num Bin Laden vivo. O certo é que ele já se tornou imortal. Vivo ou morto, ele continuará a influenciar.

Nas interceptações telefônicas realizadas na Europa e no Oriente Médio pelos 007 dos serviços de inteligência, os extremistas grampeados falam como se Laden estivesse a remeter diariamente e-mails, com palavras de ordem, incentivos e ensinamentos diários.

A respeito do sumiço de Laden, muitos jihadistas lembram do conselho dado ao filho e que vazou para um jornal árabe: “A superexposição na mídia é prejudicial, danosa”.

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Como você vê a expansão do Ensino Privado?

Março 5, 2007

Frigotto: A escola privada só é boa em países onde a escola pública é boa. A rede pública define o nível de todo o sistema. Se ela for medíocre, não há motivos para o empresário privado oferecer um ensino que não seja igualmente medíocre, cujos custos sejam pequenos e os lucros, grandes. Há, portanto, uma correlação direta entre o desmonte da escola pública e o crescimento da indústria de escolas privadas altamente lucrativas. O mesmo ocorre na área da saúde.

O que a escola pode fazer, num contexto de amplo predomínio dos meios de comunicação de massa como veículos de difusão de idéias e valores?

Frigotto: Pasolini dizia profeticamente que a experiência fascista arranhara a Itália, mas que o monopólio da mídia arruinara a Itália. Isso se aplica ao Brasil no mais alto grau: o autoritarismo arranhou o Brasil, mas o monopólio da mídia nos arruína todos os dias. Foi patético ver o presidente da República se deslocar para inaugurar um estúdio de televisão e dizer: “Eu confio no Brasil, confio na Globo.” Esta e as demais redes de televisão têm operado sistematicamente para desfocar o país de seus problemas. No auge da crise econômica recente, no exato dia em que perdemos maior quantidade de reservas, o grande problema apresentado pela Globo, no programa “Você decide”, era se um professor deveria ou não dormir com uma aluna que lhe fizera esse convite. Monopolizar a atenção de milhões de pessoas com isso é um acinte.

Por coisas assim, Antônio Houaiss, que acaba de falecer, disse há pouco tempo num debate: “Não temos democracia no Brasil porque não temos escola básica de qualidade e os meios de comunicação não são democratizados.” A televisão, que hoje desempenha um papel essencialmente desagregador, tem que ser controlada pela sociedade. Não me venham falar de censura, pois, evidentemente, não é disso que se trata.

Retirado do livro “BRASIL: CRISE E DESTINO” da Editora Expressão Popular, publicado em 2000. Integra em PDF aqui.