Posts de Dezembro, 2006

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uma demonstração sobre o problema do direito autoral

Dezembro 26, 2006

Observação: 1º não precisamos começar do zero; 2º achar que a política de “copyleft” faz parte de um movimento amplo de oposição aos direitos de propriedade intelectual é incorreto, a oposição é contra a legislação que barra o acesso a informação e a cultura. Negar a propriedade intelectual é negar a autoria, o reconhecimento da criatividade e a inteligência humana de alguém.

O CMI tem tratado do assunto a um bom tempo, recentemente o coletivo puxou esse debate devido ao pedido de um jornalista, que trabalha em um portal de internet, para publicar notícias integrais do CMI. Claro que citando a fonte, neste ponto ele está pedindo autorização para o CMI.

A partir desse pedido se retomou a discussão do direito autoral, um discussão que o voluntário do CMI, o Professor Pablo Ortellado tem acúmulo. Dessa discussão inicial que acompanhei, esboço os seguintes problemas encontrados nas conversas:

(i)problema com o uso do Copyleft;
(ii)recusa em utilizar o Creative Commons;
(iii)e o que se pretende com uma nova licença.

Primeiramente digo que tenho divergência com o enfoque adotado pelo Pablo, nos seus artigos “Por que somos contra a propriedade intelectual?” e “Direitos Autorais e o Acesso as Publicações Científicas” publicado em parceria com Jorge Alberto Machado, além da “Declaração de apoio ao acesso aberto à literatura científica – ‘Carta de São Paulo’ ” feita pelos USPianos. A minha visão e posição a esse respeito é mais próxima do pessoal da FGV e do Creative Commons.

Deixo claro que tenho muitas contradições com o pensamento da USP e em especial com a prática de seus intelectuais de fazerem lindas e pomposas análises fenomenológicas sem tocar na questão essencial dos problemas, além de proporem soluções vagas, ridículas e liberais, mas nessa demonstração não trataremos disso, porque o professor Pablo apesar de alguns equívocos em sua análise, não se enquadra no pensamento USPiano do qual combato.

E antes de iniciar a argumentação faço as seguintes observações:

(i)a internet muda drasticamente a relação de produção, reprodução e distribuição da informação e da cultura, a idéia de livro como mero registro de pensamento oriundo dos tempos antigos é superada na idade média com a criação do codex, um registro físico de pensamento organizado com índice e encardenado, que por sua vez vira sinônimo de livro com a criação da imprensa, que agora começa a ser superada pela internet, onde a informação não necessita mais de um suporte físico para seu armazenamento, onde sua reprodução vira sinônimo de acesso, onde o livro vira sinônimo de trabalho intelectual criativo sistematizado como unidade, ou seja, o livro se transformou em sinônimo de unidade de conhecimento frente à informação fragmentada e incompleta que circula de forma viral no meio virtual, é dessa forma que iremos nos referir aos livros futuramente, iremos nos referir pela a sua unidade e organização;

(ii)o problema do direito autoral é seu uso patrimonial que é usurpado pelos editores e distribuidores em detrimento ao autor, no Brasil quem mais viola o direito autoral são os editores e distribuidores, a ação de rapina dessa turma impede o acesso, mas, com a internet essa ação é prejudicada, pois o suporte físico permitia a rapina, não é necessário no meio virtual;

(iii)deve se estar atento ao uso da palavra revolução da informação, pois revolução não deve ser entendida como ruptura ou desenvolvimento tecnológico acelerado, deve sim, ser entendida como a tomada dos meios de produção intelectual e cultural pelo povo, através da produção de cultura e conhecimento feita pelo próprio povo, sem intermediários – editores e distribuidores, também implica dizer que a massificação da informação e da cultura deve seguir uma perspectiva popular e de inclusão, caminho esse que o MINC tenta ensaiar, mas ainda é muito débil em suas ações, o que demonstra que esse processo deve ser público porque a população está tomando pra sí e não porque o Estado está fazendo como uma forma de política pública, o que também é válido, mas débil como se mostrou, além de ser um processo que estará sujeito a conjuntura política institucional, além de, esse mesmo processo ficar a mercê de ações políticas oportunistas e reformistas que tem caráter reacionário, mas disfarçado;

(iv)a abolição da propriedade intelectual não tem nada de revolucionário e só dará mais poder aos distribuidores e editores, pois ficarão livre pra fazer o que quiserem, temos é que mudar esse conceito de propriedade, que deve deixar de ser pratrimonialista pra se tornar popular, público, coletivo e revolucionário, conceito ligado a liberdade de expressão e a personalidade humana;

(v)a discussão dos direitos autorais deve estar ligada a discussão sobre a produção, reprodução e distribuição de informação e cultura, também deve estar ligada a destruição da hegemonia cultural, política e intelectual vigente, significa dizer que devemos procurar um sujeito popular de conhecimento;

(vi)e mais importante, essa discussão deve ser travada com o povão, para não deixarmos que esse debate aprofunde a distância entre o povo e os intelectuais, temos que ver o exemplo da Editora Civilização Brasileira que publicou os Cadernos do Povo Brasileiro na década de 60, trazendo o debate sobre as reformas de base para toda a sociedade, uma experiência pioneira;

(vii)e mais importante ainda, temos um fato político que mudará a relação da massa com o conhecimento e com a informática, esse fato são os laptops à U$ 100, que o governo brasileiro está implementando a idéia, mas não como uma forma de inclusão digital, mas como um meio de se economizar os gastos na educação, temos é que influenciar esse processo e ampliar o alcance desse computador a mais pessoas, em especial a classe popular, pois esta briga está sendo perdida de propósito pelo governo que não quer contrariar interesses contrários a inclusão digital e a democratização do acesso ao conhecimento.

Voltando a discussão sobre as posições do Pablo, temos 3 textos que ele construiu ou ajudou a construir, textos que tratam do debate a cerca do direito autoral, bem vamos a eles:

(i)no texto “Por que somos contra a propriedade intelectual?” (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/29908.shtml) o Pablo vai querer demonstrar que o Direito Autoral é coisa do passado e que os artistas, intelectuais, autores e criadores poderão viver sem os royalties. Nesse texto o Pablo fala de muita coisa, menos de direito autoral.

(ii)na Revista Adusp do mês de agosto de 2006, no artigo “Direitos Autorais e o Acesso as Publicações Científicas” publicado em parceria com Jorge Alberto Machado, irá demonstrar que não é tão justo assim o direito das editoras de publicações científicas em reprimir a fotocópia de seus livros, já que a pesquisa foi bancada com dinheiro público, ou seja, quem investiu a grana foi o Estado.

(iii)e por fim, na “Declaração de apoio ao acesso aberto à literatura científica – ‘Carta de São Paulo’”, os USPianos irão fazer um manifesto tentando demonstrar umas soluções para o problema dos xerox nas Faculdades.

No primeiro texto citado, o Pablo irá puxar uma discussão de como mais ou menos surgiu o direito autoral, vai passar pelo debate que o Napster gerou, irá mostrar uma genealogia do direito autoral começando com a legislação inglesa e passando a legislação americana e as várias manipulações na legislação norte americana durante o século XX, manipulação bancada pelo lobby da indústria cultural. Até aí o texto é muito informativo, mostra como se dá essa dominação e a quem ela beneficia.

Acontece, que, por se tratar de direitos autorais temos que deixar bem claro que se tem duas posições divergentes dentro do direito, uma que é a mais reacionária, que irá tratar do direito autoral como mero direito de propriedade de bens não materiais, direitos que uma pessoa adquire pelo trabalho ou por herança.

Porém, existe outra posição dentro do mundo jurídico, uma posição mais liberal se assim podemos dizer, uma posição que se inicia com a Revolução Francesa e com os Romances de Folhetim. Uma posição que permite entender o direito autoral como direitos personalíssimos, ou seja, direitos ligados a personalidade do autor, que concebe a obra como uma extensão de sua criatividade, de suas idéias, ou seja, permite uma concepção de direito autoral ligada com a liberdade de expressão.

Essa concepção é originária e embasada no artigo onze da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão: “A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo cidadão pode portanto falar, escrever, imprimir livremente.” Como afirma um historiador, “cada francês é agora um escritor em potencial, todas as Bastilhas acadêmicas caem por terra e uma aventura da palavra escrita está acontecendo.” (http://educaterra.terra.com.br/literatura/romantismo/romantismo_1.htm)

Tal concepção vem de encontro com os anseios de uma nova classe dominante na época (burguesia) e também de um novo sujeito de conhecimento e de um novo leitor. O que implica dizer, que no contexto das transformações econômicas e sociais ocorridas durante a consolidação dos Estados Nacionais e do capitalismo, a arte e as invenções tiveram seu valor econômico alterado, da mesma forma que com a difusão das obras literárias escritas pela imprensa e com a instrumentalização jurídica da economia de mercado se possibilitou a realização de contratos entre o autor e o editor, bem como a apropriação individual do produto da venda das obras reproduzidas, rompendo com a dependência do mecenato concedido pela igreja ou pela a aristocracia anterior. É nessa concepção que se encontram os royalties, como uma forma de bancar o tempo e a criatividade investida pelo autor na concepção da obra, pois ele não teria recebido mecenato.

O direito autoral entendido como uma extensão da personalidade do autor garante um enfoque menos patrimonial e mais humano, implica antes de tudo na titularidade do direito e na guarda moral da obra, frente as edições e alterações arbitrárias dos editores. Penso que é por aqui que se deve começar a nossa disputa por uma nova concepção de direito autoral.

No segundo texto indicado, da Revista Adusp, temos que começar a questionar a cara de pau dessas editoras que controlam mal e porcamente a distribuição das obras científicas e a questão do acesso a informação, temos que questionar atualmente qual a necessidade dessas editoras dentro da divulgação científica. Será que atualmente necessitamos delas?

Para resolver essa questão podemos impor o primato do interesse público sobre o privado, ainda mais quando envolve a questão do mecenato e criticar a pilhagem feita por essas editoras. Nesse sentido temos até uma reserva legal com a lei da quebra de patentes de remédios. Cabe agora a comunidade acadêmica que se encontra apática, se somar com o setor que tem sido penalizado e oprimido pela questão do xerox nas faculdades – os estudantes.

Por fim a declaração dos USPianos, ou melhor, a “Carta de São Paulo” de 2005 irá se preocupar apenas com a circulação da literatura científica, o que é um erro grave. Temos que pensar como se dá a produção desse conhecimento e qual o papel do ensino público gratuito e de qualidade, bem como a questão do projeto de massificação do ensino que ocorre no Brasil, um processo iniciado em 1960 com a derrota do projeto de ensino proposto público de qualidade ao alcance de todos proposto pelos educadores Darcy Ribeiro e Anísio Teixera no Congresso Nacional, projeto derrotado, que deu ensejo a fundação das Universidades Católicas, o primeiro modelo privado de ensino superior em larga escala. Não é atoa que a perseguição a quem tira xerox das obras se dá em maior intensidade nesse espaço, no ensino privado.

Agora eu me pergunto, será que fazer uma outra licença baseada na Licença GNU irá resolver alguma coisa? E o Copyleft?

A Licença GNU foi criada para romper com as barreiras impostas pelas grandes empresas do ramo de informática, que com o advento do computador pessoal, resolveram proibir a alteração dos sistemas e dos programas de computador. Bem, a Licença nada mais é do que uma autorização pública para que as pessoas alterem e distribuam os programas como bem entenderem, desde de que não imponha barreiras para que outra pessoa faça o mesmo.

Acontece que essa licença é mais um pedido político que uma norma de direito autoral, não foi concebida para criar efeitos no ordenamento, ao contrário da Licença Creative Commons, que atualmente é muito mais abrangente e permite várias possibilidades. Inclusive temos uma disputa no Supremo norte americano envolvendo a licença.

Penso que, não é porque a FGV esteja adaptando ou regulando o Creative Commons que irá impedir que se crie outra modalidade do Creative Commons, criar um Creative Commons mais radical, acho que é por aqui que temos que começar.

Outra questão é como fazer uma regulamentação que tire os empecilhos das obras coletivas, derivadas e colaborativas, sem retirar a titularidade de quem iniciou a obra, ou uma regulamentação não burocrática que garanta a titularidade de todo mundo que investiu um pouco de seu tempo e sua criatividade na concepção da obra. Um regulamentação que estimule a criação de obras colaborativas e que estimule os mais variados usos.

E lembrando, que direito autoral é algo mais amplo do que cobrar royalties!!! Também lembrando que o direito autoral, por causa das cobranças de royalties se tornou repressivo.

No caso do CMI, que iniciou esse debate, penso que a questão jornalística deve ser observado não pelo direito autoral, mas pelo direito de imprensa, pois ele incide sobre a responsabilidade em relação a veracidade da informação, podendo ocorrer em responsabilidade penal não para quem criou uma notícia falsa ou uma calúnia, temo o exemplo do blog – www.imprensamarrom.com.br, onde o seu dono foi processado por causa de um comentário posto por um leitor.

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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voltando a questão do voto nulo

Dezembro 25, 2006

Olha só que interessante

Queria ver se a posição do Ministro continuaria a mesma se isso realmente acontecesse.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/brasil/2504001-2504500/2504025/2504025_1.xml

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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Fealdade de Fabiano Gorila

Dezembro 21, 2006

Essa HQ é muito boa, completa e coerente, tem uma qualidade gráfica e lírica impressionante. O roteiro parece um conto do Machado de Assis passado na década em 1950, o traço é realista e a narrativa lembra muito o cinema Neorealista italiano. Uma obra prima dos quadrinhos nacionais. Pena que na época, em 1999, a Editora Conrad não soube promover esse lançamento e nem dar o devido prestígio ao autor.

Marcello Gaú, que atualmente assina com Marcello Quintanilha, mora na Espanha e vive de banda desenhada no velho mundo. Trabalhou por mais de 10 anos no mercado editorial brasileiro e conseguiu desenvolver um estilo próprio. É mais um talento nacional jogado no lixo enquanto esteve morando e se ferrando aqui, agora desfruta de prestígio e duma carreira de respeito lá nas Europas.

 

Para quem quiser saber mais: Resenha da ConradEntrevista no site Universo HQ

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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2º Round!!!

Dezembro 20, 2006


Congresso pode congelar salários do STF


Decisão seria represália à decisão que derrubou aumento a parlamentares

BRASÍLIA – Os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que ganham R$ 24,5 mil mensais, podem ser congelados pelos próximos quatro anos, de acordo com proposta que ganha força no Congresso. O argumento é que esse valor não pode ser considerado alto apenas para os parlamentares. O congelamento dos salários do Judiciário vai ser formalmente apresentado hoje na reunião das mesas Diretoras da Câmara e do Senado pela bancada do PT e pelo deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO).

A apresentação da proposta seria uma represália à decisão de ontem do Supremo de barrar o aumento salarial dos parlamentares. Para o segundo vice-presidente da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), a decisão do Supremo foi “política”. “Decisão judicial se cumpre, mas foi uma decisão política do Supremo”, afirmou.

Ele estranhou o Supremo ter julgado tão rápido as ações contra o reajuste, que deram entrada no Tribunal na última segunda-feira. Os parlamentares lembraram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou de sancionar um reajuste para as carreiras do Judiciário, que causará um impacto nas contas públicas de R$ 5 bilhões.

“Isso não tem repercussão na sociedade”, comparou Nogueira. “Há uma pressão desproporcional da opinião pública sobre os Poderes Judiciário e Legislativo”, disse o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ). No entendimento do Congresso, a repercussão na opinião pública é menor quando o aumento beneficia o Poder Judiciário. E isso não acontece quando o reajuste atinge os salários dos parlamentares, mesmo que o impacto nos gastos públicos seja menor.

A proposta do tucano Eduardo Gomes é congelar o salário de ministro do Supremo e dar aumentos gradativos aos parlamentares nos próximos quatro anos até que os vencimentos fiquem equiparados – R$ 24,5 mil. Em 2007, o subsídio ficaria em R$ 16,5 mil, sendo reajustado até 2010. “Isso acabaria com a eterna busca da equiparação”, disse Gomes. Ele ressaltou que haveria uma redução dos gastos nos primeiros anos. A estimativa da Câmara é que o aumento para R$ 24,5 mil causaria um gasto de R$ 157 milhões anuais.

Fonte: Tribunadaimprensa.com.br

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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considerações sobre o protesto contra o aumento dos parlamentares

Dezembro 20, 2006

Essas manifestações que ocorreram em Curitiba e em Brasília demonstraram a indignação da população frente ao aumento dos parlamentares, apesar de ter sido uma manifestação da classe média, que soube dessa notícia através do sensacionalismo do Estadão e da Rede Globo, bem como dos demais meios de comunicação que tentam ensaiar uma interação com esse estrato social que se diz bem informado.

Antes de sair repetindo o discurso sensacionalista da mídia, é preciso saber o que está por trás desse aumento. O motivo do aumento foi uma resolução do CNJ – O Conselho Nacional de Justiça, que burocraticamente falando foi umas das poucas coisas decentes que o (dês)Governo Lula fez. O conselho elaborou uma norma propondo um teto para o funcionalismo público, esse teto é o salário dos Ministros do Supremo, algo em torno de R$ 24.500. Mas por que criaram esse teto?

Para moralizar o nosso imoral judiciário, o teto foi um esquema pra acabar com a mamata que ocorria em alguns Tribunais de Justiça onde um Desembargador ganhava R$ 50.000,00 acumulando várias funções, promoções e bonificações. Foi por isso que se resolveu criar esse teto, para coibir esses salários de marajás.

Do outro lado, está totalmente correto dentro da lógica da pólis e do direito o aumento retroativo proposto pela Câmara. Porém não é porque está pleno de direito que esse aumento é moral, mas, imoral ainda foi o posicionamento hipócrita do STF – Supremo Tribunal Federal, que de forma demagógica barrou o aumento só pra fazer média com a classe média reacionária que ontem saiu as ruas. Além disso esse aumento iria proibir que outros parlamentares que já tiveram outros cargos públicos agregassem a sua remuneração de parlamentar essas outras quantias, ou seja eles só poderiam ganhar no máximo a quantia desse aumento e nada mais.

Estou acompanhando essa agitação com olhos bem abertos, pois a mídia e os reacionários estão com largos sorrisos após esses acontecimentos, já tentaram nesse ano ensaiar um marcha no pior estilo, Tradição-Família-e-Propriedade, que diferente do que ocorreu ontem não teve muita adesão.

Quem deve estar realmente satisfeito com esses acontecimentos é o Lula, pois agora pode jogar na cara do Legislativo esse fato, o fato que o povo não está mais se sentindo representado pelo Legislativo. Pode agora ensaiar umas manobras populistas, da mesma forma que os reacionários já se vem com mais moral para dar uns pitacos e ensaiar um golpe. Digo isso, vendo os comentários reacionários a cerca do Governo Lula e etc. Não sou nenhum petista e muito menos simpatizante, mas esses comentários preconceituosos que a classe política é tudo a mesma merda, que eles não valem nada é um tremendo problema. Isso deforma a visão do que politicamente está ocorrendo e de onde está o verdadeiro problema e quem devemos combater.

O problema é que esses parlamentares são meros fantoches de grupos políticos e economicamente organizados que governam esse país a 500 anos. Quem tem poder são as multinacionais que criam as leis para se beneficiarem, da mesma forma que burlam essas mesmas leis que criaram pra se beneficiarem novamente, que mandam e desmandam nacionalmente, que botam e tiram quem está no poder e que apesar de tudo isso que fazem na nossa cara e ninguém enxerga! E essa corja foi a mesma que criou essa situação de indignação ocorrida ontém. Aliás, qual foi o comportamento do mercado com o que ocorreu ontem?

Ele pouco se importou! Da mesma forma que não deu a mínima sobre os escandalos que ocorreram no ano passado e na véspera dessa eleição! Porém quando está em disputa qualquer lei que defende os nossos já precários direitos e garantias fundamentais como as Leis Trabalhistas, Leis Ambientais ou Leis que tratam da Saúde, da Educação e da Segurança, esse mesmo mercado que não deu a mínima ao que aconteceu ontem começa a passar mal, a aparecer nos jornais como se estivesse doente ou apreensivo, da mesma forma que esse mercado vibra quando essas leis estão sendo destruídas por esse governo. Ou seja, esse mercado vibra quando o Estado brasileiro capenga é destruído, ou como eles dize, enxugado.

Bem, temos que aguardar um pouco mais, pois essa pressão do povo frente aos políticos é algo que a muito tempo não se via, da mesma forma que a idéia de protestar na diplomação dos parlamentares mostrou-se ser uma ótima tática de mobilização contra o poder instituído. O jeito é continuar observando e analizando esses acontecimentos, mas que uma coisa fique claro: os reacionários estão muito a frente na disputa pela indignação da população e esse fato tem que ser observado pelas forças populares com olhos bem abertos, para não se repetir o que rolou em 1964.

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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TZODOMA POPO – TZODOMA POPO – CD – R$ 15,00

Dezembro 12, 2006

14 músicas. 58 minutos. 2005. 499 cópias limitadas.

“Tzodoma Popo é música afrodisíaca, perturbadora e melancólica para se escutar olhando para as vacas que ruminam o pasto mal mastigado, chorei, hó céus, como chorei enquanto escutava esses clássicos da tristeza infantil.”

Petter Baiestorf.

Com Gurcius Gewdner nos vocais, uma dupla de japoneses e membros da formação original de Os Legais: o Tzodoma Popo é completamente oposto aos trabalhos musicais anteriores destes doentes, mas simplesmente um prato cheio pra quem gosta de música doente de tanta qualidade, brotando pelas entranhas e genitálias. São nada menos que 14 canções Afrodisíacas Infanto Juvenis que farão sua sala sala de estar ferver de erotismo e prazer, transformando as populações das novas gerações, fazendo do mundo um grande berço de bem estar suado. Altamente recomendado aos adoradores de Serge Gainsburg, Liquid Sky(O Filme), Goblin, The Residents, Kaada, SMES e Fabio Frizzi. Tzodoma é romântico, erótico, dançante, maligno, belo, excitante, indigesto, emotivo e amoroso. Com encarte ultra colorido e embalado em luxuosa caixinha de DVD transparente este disco foi lançado em edição limitada e só possui 499 cópias disponíveis. Por isso, nada de perder tempo, adquira já a sua cópia, antes que acabe. Escute as duas músicas que fazem parte da trilha sonora do filme “Porquê Sou Brasileiro!” de Petter Baiestorf.

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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A CURTIÇÃO DO AVACALHO – DVD – R$ 20,00

Dezembro 12, 2006

Comédia. 73 minutos. 2006. Cópias numeradas.

Quando os portões infernais do cinema nacional se fecharam aos Canibais do extremo oeste de Santa catarina Piotr Bucetorf deu seu grito primitivo na forma de uma refilmagem livre de ” O Incrível Homem Que Derreteu” (“The Incredible Melting Man”) transmutada, depois de muitas brigas entre o pessoal da equipe-técnica, numa história ateísta chamada “Meleca”, roteiro de histeria-pop, que acabou se transformando na base marginal para a feitura dessa belíssima comédia “A Curtição Do Avacalho”, verdadeira homenagem ao cinema udigrudi do Brasil dos anos 60/70.

Este DVD ainda inclui os fantásticos extras:

- Galeria de fotos com mais de 300 fotos e com relaxante som ambiente do I Shit on Your Face e Putritorium.
- Roteiro do filme pagina por pagina com musica do Satanique Samba Trio.
- Trailers de clássicos da Canibal Filmes como Zombio, Eles comem sua Carne e O Monstro Legume do Espaço. Além de trailer de filmes de Gurcius Gewdner e André ZP.
- Seqüências não aproveitadas: incluindo crises intimas de relacionamento entre membros da produção, diálogos adicionais e a equipe trabalhando.
- Menu interativo, edição de Gurcius Gewdner e uma das trilhas sonoras mais ecléticas e pop de toda a existência da Canibal Filmes.

E pra fechar tudo de forma maravilhosa, o DVD inclui o curta metragem documentário BAIESTORF: FILMES DE SANGUEIRA E MULHER PELADA, sobre o maldito cineasta que, aos 30 anos, realizou mais de 100 filmes viscerais na pequena cidade de Palmitos. Direção, Produção e Edição : Christian Caselli.

Canibal Filmes apresenta A CURTIÇÃO DO AVACALHO

Um filme de PETTER BAIESTORF

Em Associação com Bulhorgia Produções

Seleçao musical, fotografia, roteiro, produção e direção de Petter Baiestorf

Edição de Gurcius Gewdner

Maquiagens de Coffin Souza

Estrelando: Ivan Pohl, Kika, Elio Copini, Coffin Souza, Everson Schütz, Petter Baiestorf e Carli Bortolanza.

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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O TRIUNVIRATO – DVD – R$ 20,00

Dezembro 12, 2006

O TRIUNVIRATO & OS CURTAS DE GURCIUS GEWDNER (1996 – 2006)

Compilação. 150 minutos. 2006. Disponível.

Tudo que você quase sempre sonhou assistir e possuir da fantástica e pulsante fase inicial de Gurcius Gewdner em um único DVD, lotado de extras e atrações especiais que farão sua vida infeliz quase valer a pena!!!! O TRIUNVIRATO (2004, 55 ‘) é um dramático documentário sobre o processo de criação de Gurcius Gewdner como diretor e com o conjunto musical Os Legais. Mostrando as duras verdades da vida, causou comoção e ódio em todos os cantos do planeta por onde foi exibido. Como é o processo de filmagem do diretor ? Como Os Legais compõe e grava suas músicas ? Movidos por tais perguntas, um grupo de estudiosos de cinema obcecados sai às ruas em busca de respostas, invadindo a privacidade de Gurcius. Sinta o sabor da dor e da verdade neste documento chocante, revelador e repleto de suspense, que irá embelezar o vazio de sua vida. Você ainda vai poder se deleitar quantas vezes quiser da obra quase completa de Gurcius como diretor de curtas nos períodos entre agosto de 1996 até maio de 2006 em 150 minutos de demência ininterrupta !!!!

O TRIUNVIRATO (ou o valor da burocracia segundo Gurcius Gewdner ), 2004, 50 minutos : O dramático documentário sobre o processo de criação de Gurcius Gewdner como diretor e com o conjunto musical Os Legais causou comoção pelos festivais do país afora, mergulhando a platéia em um universo de dor e sofrimento nunca antes experimentados. Com legendas em inglês e galeria de fotos ao lindo som ambiente de Os Legais.

POLUIÇÃO DOS MARES & OCEANOS, 1996, 17 minutos : A poluição nua e crua. A brutalidade para com os animais. A destruição e o desrespeito em seus últimos limites. Um retrato doentio do que a humanidade é capaz de fazer consigo mesma em um documentário único, forte e marcante sobre dramática realidade da poluição dos mares e oceanos. Extremamente didático e apresentado por galinhas, pinchers e animais marinhos. Produzido por Gurcius Gewdner e Marcius Lindner, que na época alcançavam a faixa dos quatorze anos de idade, sob encomenda para exibição no ensino médio. É utilizado em aulas de geografia de sétima e oitava série em diversas partes do país, um filme utilizado por pesquisadores respeitados e odiado por grupos anarco punks. Uma demonstração explicita da obsessão de Gurcius e Marcius por galinhas e pinchers e o primeiro contato com isopor. Com legendas em inglês e Making Off, também legendado em inglês.

NOSFERATUM, 2003, 9 minutos : Nosferatum é um mergulho doentio no submundo da psiquiatria. Com excelente e assustadora trilha sonora do musico autodidata Wandon Bellou e atuações viscerais, o curta é um tributo à masculinidade menosprezada de pinchers e fãs da psiquiatria. Com ângulos assustadores desta tão odiada raça de cachorro, Gurcius conseguiu resultados sobrenaturais neste filme premiado, com emoções fortes e clima claustrofóbico. Foi filmado com orçamento zero em 2002 e finalizado em 2003. Legendas em inglês.

A POPULAÇÃO DA AMERICA ESPANHOLA COLONIAL, 2004, 12 Minutos : Massacre! Fome! Violência! Mortalidade infantil! Escravos! Catástrofes naturais! Fornicação! Estupro! Saiba tudo que você sempre quis saber sobre as relações entre espanhóis e indígenas em mínimos e inarráveis detalhes, nesta superprodução ultra-realista filmada em belíssimas locações mexicanas. Com legendas em inglês.

CLIMAX, 2006, 3 MINUTOS : Videoclip de animação orquestradas por Gurcius para o grupo goiano de rock de garagem MECHANICS, com referencias aos quadrinhos de Fábio Zimbres e estrelando Daniel Villa Verde (lendário agitador contra cultural do sul do país e vocalista dos lendários Scream Noise, Ornitorrincos e Facão 3 Listras), Gurcius Gewdner e Iuguru Magnor. Inclui ultra complexo Making off com apresentação de Daniel Villa verde. Assista o clip em primeira mão aqui.

Como se já não bastasse, esse DVD ainda conta com os maravilhosos extras:

- OS LEGAIS SESSÕES 2004: Na metade de 2004, Os Legais adentraram um estúdio para gravar 50 musicas novas em dois dias. Em O Triunvirato, você já podia conferir “Por Alá” e “Do you know the way to San Jose”, aqui você pode conferir a gravação de mais 6 músicas inéditas: “Calcanhar Mimoso”, “O Batuque na Bunda da Nega”, “O Bonde do Aleijadão”, “O Cigarro é a Melhor Herança”, “Cocô volta e vai” e “Meus coco são teus coco”.

- Trailers: Diversos trailers de filmes de Petter Baiestorf, André ZP e Gurcius Gewdner: Dia de Ano, A Curtição do Avacalho, Eles comem sua Carne, Sozinho, O Monstro Legume do Espaço e O Monstro Legume do Espaço 2.

- JOGO DOS SETE ERROS : Teste sua inteligência neste ultra complexo e intelectual enigma ao som de Tzodoma Popo.

- Discografia selecionada de Os legais até 2007.

- Legendas em inglês em todos os filmes.

- Galeria de fotos.

- Making Offs.

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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OS LEGAIS & WILLIE KAMPFF – CD – R$ 15,00

Dezembro 11, 2006

35 músicas. 79 minutos. 2006. 499 cópias limitadas.

No distante inverno de 2002, duas expressões musicais totalmente diferentes, e de regiões totalmente diferentes, resolvem se unir em prol de um único objetivo: mergulhar fundo nos confins da já extinta e traumática infância, trazendo o que há de pior e mais nefasto de nossos tão nostálgicos anos dourados, que tanto tentamos esquecer. Dessa união, eis que surge após longos e demorados 4 anos depois, um dos mais absurdas e hipnóticas parcerias da história da musica mundial: OS LEGAIS & WILLIE KAMPFF.

Em um split CD que reúne nada menos que 35 músicas, alternadas entre os dois grupos, você irá ouvir Os Legais em estado bruto: sem a inocência e simplicidade lírica e musical de seus primeiros lançamentos, a banda realiza seu trabalho mais perturbador, esquisito, irritante e doentio de toda sua existência. Esqueça o som da bateria tradicional das bandas de rock, ele não existe aqui. O que temos aqui é a maravilhosa bateria de papelão, isopor, latas de tinta e carrinho de mão usada exaustivamente nos primórdios da banda e aqui registrada em seu melhor momento. O barulho que invade nossos ouvidos despreparados e nos faz afogar a alma em um mergulho sem volta, na cultura infanto oitentista do Brasil, que Os Legais reconstrói de forma impiedosa, desfigurando as mais ternas lembranças infantis de sua geração. Acompanhando o Triunvirato Supremo, que gravou o disco quase inteiro em trio, temos participações mais do que especiais do coral infantil SONHO POR INTEIRO: onde as vozes das crianças nada têm de angelical ou infantil, ficando mais próximas do que é a verdadeira representação da morte e danação do inferno, o coro das almas em seu lamento de dor e sofrimento eternos. Lacus Ernico, da formação original da banda e J.W. Kielwagen (conhecido por ser a mente pensante a frente do SPINDOVE e constante colaborador da Bulhorgia) colaboram em uma gama infindável de instrumentos no decorrer do disco. Como se já não fosse o suficiente, na música “Livres para Voar” há uma parceria com o grupo paulista OBJETO AMARELO, que gravou com Os Legais em uma de suas passagens por Santa Catarina, com resultado totalmente inusitado em relação ao trabalho do Objeto.

Alternado em meio ao caos, temos o prazer de sentir a aparente e desconcertante tranquilidade do canadense WILLIE KAMPFF, com seu som totalmente irrotulável e sem padrões de comparação. Saído dos confins da obscura cena Black Metal canadense, Willie tem a disposição apenas sua voz e um violão, mas não se engane, você nunca viu ou ouviu nada igual ao que ele faz aqui. Seu instrumental hipnótico e voz desconcertante vão dividir seu cérebro em duas fatias distintas: uma delas repleta de amor, ternura e alegria de vida, e a outra recheada do mais profundo pavor, desespero e morte. Absorvido nas lembranças de sua inimaginável infância, Kampff gosta de se definir como a versão moderna do flautista dos ratos e traz a tona a inocência das cantigas de roda, misturadas ao triste ritmo constante dos cortejos funebres. Seu violão é substituto da flauta, que transforma os ouvintes em ratos, produzindo a marcha perfeita rumo a mais completa decadencia e autodestruição psicológica do ouvinte. SIMPLESMENTE IMPERDÍVEL!!! Sua cabeça nunca mais será a mesma!!!

Mantendo a tradição de qualidade Bulhorgia que você já conhece, este split vem embalado em uma luxuosa embalagem ultra colorida de caixa de DVD transparente, que ainda acompanha um também ultracolorido poster frente e verso, de 36 x 18. Como já é de prache em nossos lançamentos (e assim será daqui pra frente), OS LEGAIS & WILLIE KAMPFF VEM EM EDIÇÃO LIMITADA DE 499 CÓPIAS, por isso garanta já o seu e estrague sua cabeça e a sua vida por todo o sempre conosco!!!!!!

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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argumento para um vídeo de agitação

Dezembro 10, 2006

 

 

OBS: O texto a seguir é um argumento de um vídeo que está sendo feito e que em breve vai ser postado nesse blog.

I

Desde de 1990 estamos passando por uma transição dentro do que concebemos como indústria cultural. Rádios, TVs, Revistas e Jornais não conseguem mais estabelecer o vínculo que tinham com seus leitores, espectadores e consumidores. São incapazes de criar a hegemonia que criavam. Fala-se em ruptura, mas desde a década perdida se vê um vazio e um marasmo dentro da cultura de massa, tenta-se criar novos estilos dentro do rock, novas formas de se fazer cinema. Porém, o que se viu foi uma série de clichês criados por marketeiros oportunistas pra faturar nas costas dos otários.

A internet ainda é vista como uma aberração, como um desaforo e o MP3 é uma insolência. Tanto a internet e o MP3 não atingiram o seu potencial, muita coisa ainda está por vir e muita coisa está pra mudar, agora o que falta mudar é o nosso referencial cultural, referencial que garante o imperialismo cultural vigente. Esse consenso construído e imposto pelos centros econômicos mundiais. O nome desse consenso chama-se modelo cultural renascentista, somado a esse temos outro problema gerado pelo sua imposição feita pelos detentores do poder. Ou se muda esse uso ou se acaba com esse modelo criando algo novo.

Fala-se em era da informação e tem se entendido a cultura de massa, fruto de um modo de produção quase que industrial, como economia criativa. Tal economia seria um nicho, um segmento de prestação de serviços e produção de bens onde acima do processo técnico e racional, estaria a criatividade, a emoção e a inovação. Esse fato novo tem gerado muito debate nos meios eruditos e econômicos das grandes potências, criou-se fóruns internacionais e a ONU tem prestado o seu papel de sempre, de capacho dos países do dito “1º mundo”, que desde de já marca território num ambiente que não foi ainda criado. O que será que eles temem? Será que eles temem a periferia cultural do globo, que não tem como referencial o modelo cultural do renascentista? Que tem assimilado a informática e a internet tão depressa?


II

A nossa dominação cultural está ligada a demasiada valorização que se dá ao modelo cultural renascentista, a tacanhísse da elite brasileira em relação a nossa produção cultura e o seu provincianismo cultural, mas antes de apresentarmos esses vícios, devemos conceituar o que é essa dominação cultural e esse provincianismo. Que tenta se justificar o rebaixamento da nossa cultura por não termos um passado renascentista e moderno, onde a nossa cultura popular e regional é vista como exótica, ultrapassada e inferior.

Por outro lado, temos que entender que a elite brasileira está instaurada no poder para manter o nosso status de capachos da Europa e do EUA. Qualquer raciocínio que rompa com isso a elite vai intervir violentamente pra manter a dominação com ajuda tanto da Europa como dos EUA, pois são essas duas forças que garantem a existência dessa elite, por isso o seu provincianismo e fidelidade a seus soberanos. O provincianismo, que nada mais é do que essa conduta cultural da elite e da pequena burguesia em considerar tudo o que é feito aqui inferior ao que é feito lá – Europa e EUA.

Para esclarecer o que é essa dominação cultural, faço um esboço de como isso se procede: primeiro essa dominação é ideológica, ou seja, o nosso gosto é construído segundo o modelo renascentista, o que achamos que tem valor artístico e cultural está nesse modelo, além disso a dominação se procede porque quem decide o que é bom para nós, ou que é de valor na cultura brasileira não são os brasileiros ou seja, são esses centros dominadores. Eles decidem o que é brasileiro e o que é bom pra nós, não é de se estranhar que sempre vemos na TV um bando de gringos, geralmente americanos ou ingleses, com o título de brasilianistas, ou seja, são profissionais especializados em o que é brasileiro, em dar palpite na nossa vida cultural, na nossa política e na nossa sociedade, além disso temos aquele velho chavão de que só é bom alguma coisa quando é reconhecida lá fora. Quem toma a decisão pra dizer o que é bom ou é ruim, quem valora a nossa cultura são as potências hegemonicas, daí a preocupação deles em moldar e construir o nosso gosto, por isso o comportamento da nossa mídia de massa, dos jornais, canais de televisão e revistas em ser capachos desses centros.

O exemplo dado foi a dominação dos gostos que é ideológica e interna. Existe a dominação cultural externa, que se procede na produção e na distribuição dos bens culturais, essa dominação está relacionada com a cultura de massa e de consumo. Na década de 60, quando esse fenômeno se instalou no Brasil durante uma ditadura militar que tinha como órgão oficial de propaganda a TV Globo, alguns artistas e intelectuais tentaram influir nesse processo criando um agir cultural chamado de Produssumo, são os nomes Décio Pignatari e Rogério Duprat, vale dizer que se tivemos um momento áureo nessas década, foi em parte pela a intromissão do pessoal preocupado com esse fenômeno cultural de massa que hoje é controlado e administrado por agentes estrangeiros, por multinacionais, vide o exemplo das gravadoras e distribuidoras de discos ou filmes. Eles controlam a distribuição do que é feito, eles escolhem o que é posto para nós escolhermos quando fomos “consumir” esses bens culturais, por isso a preocupação desses agentes com a internet e os programas de troca de arquivos, bem como a sua preocupação com a lei de direito autoral, que nada mais é do que uma criação dessa turma para garantir sua hegemonia cultural e econômica no nosso país. O que eles fazem deve ser considerado criminoso, como por exemplo ignorar iniciativas culturais que tenham um apelo ao consumo de massa, boicotando e não distribuindo esses bens, como também a sua política de saturar a oferta dos bens culturais que são produzidos e distribuídos por essa mesma corja, nesse caso o excesso dessa oferta gera a demanda pelo consumo por falta de opção ao público consumidor. Além da dominação na distribuição, temos a dominação na produção dos bens culturais, o que significa dizer que o que consumimos não é produzido aqui e não segue a nossa perspectiva e possibilidade. Significa dizer que essa dominação impõe um padrão de produção altamente caro e desperdicioso a nossa condição como periferia cultural, ou seja, já recebemos essa denominação de periferia por não sermos centros produtores e distribuidores de cultura, o que significa dizer que além de termos que seguir um padrão estético, temos que seguir um padrão técnico para a produção cultural, seja ela o cinema, a música ou até para produzir uma HQ.

Dessa forma, criam várias barreiras que nos impedem de produzir cultura, vale dizer que o motivo dessa dominação é mais político do que econômico, digo isso comparando os números da nossa produção cultural de massa. Antes da ditadura a média de público para um filme brasileiro era 8 milhões de pessoas para uma população de 70 milhões, eram filmes que tinham uma boa qualidade e uma independência estética em relação as produções hollywoodianas, hoje os gringos mal conseguem por mais de 1 milhão de espectadores em nossas salas de cinema com seus blockbusters que saturam todas as salas e tem uma propaganda agressiva na mídia – TV, rádios, revistas e jornais. Na música se diz o mesmo em relação a produção de discos, temos vários lixos que mal vendem 50 mil cópias e esses lixos vivem nos anais da mídia, enquanto outros artistas vendem a mesma quantidade ou até mais e são boicotados, vale dizer que essa quantidade de discos vendidos é a mesma de 40 anos atrás, quando tínhamos uma população de 70 milhões e agora temos 170 milhões. Façam seus cálculos e suas comparações e reflitam em relação a quem se beneficia dessa dominação cultural e qual o benefício que essa dominação trás, será que é econômico, será que é político ou será que é pra dominar só por dominar?

III

Em relação as produções cinematográficas, penso que os brasileiros devam dar uma olhada melhor ao que foi o Cinema Novo e o Cinema Marginal, além dos esquemas de distribuição de filmes trash que ainda funcionam em círculos fechados, também temos que observar de forma atenta como procede o modelo de produção na Índia – Ballywood e na Nigéria – Nollywood, sendo este último o país que mais produz filmes por anos, o dobro do que é produzido nos EUA, além disso o país que não tem salas de cinema, a distribuição é em VHS e DVD e se faz por vendedores ambulantes. A Nigéria conseguiu criar uma indústria que fala diretamente com o seu povo e que é geradora de mais de 1 milhão de empregos sem apoio do governo e ainda por cima venceu o imperialismo cultural da Europa e dos EUA.

Sobre a produção musical, temos que estar a atento a internet e ao MP3, ver essa possibilidade com mais atenção e seriedade, também temos que rever o nosso passado nos tempos áureos do rádio, podemos tirar boas lições dessa época, sobre a parte estética e por que não dizer ética, fica claro que a música regional nossa é a maior frente contra a dominação cultural, por isso temos que defender a cultura regional e popular com unhas e dentes frente a destruição promovida pelas gravadoras multinacionais, seja atacando diretamente a nossa música regional ou criando lixos que se dizem cultura regional e popular, veja o que fizeram com o pagode e o sertanejo, o mesmo se diz essa pseudo nova MPB que a gravadora Trama insiste em dizer que é música brasileira, só se for pra inglês ver.

No que se diz respeito a música contemporânea temos que lembrar das experiências mais radicais que tivemos na nossa música, a primeira é com Villa Lobos, a segundo é a Tropicália, com a banda Os Mutantes, o que tem de bom na Tropicália é Os Mutantes, o Tom Zé tenta, mas não chegou a metade do que Os Mutantes chegara, o mesmo se diz em relação ao Gilberto Gil, que está se saindo melhor como ministro do que como músico, arrisco dizer que até agora o Gilberto Gil tem sido o melhor ministro da cultura que já tivemos, em relação ao Caetano Veloso, não irei perder tempo com esse oportunista. A 3º experiência radical que já tivemos e que até agora foi a mais radical de todas é a mal entendida Vanguarda Paulista, onde o maior expoente é Arrigo Barnabé e seu disco Clara Crocodilo, na minha opinião o disco mais heavy metal do mundo!

Alguns exemplos foram citados, comparações foram feitas, falta agora uma tomada de posição dos proletários da economia criativa brasileira frente essa retórica da hegemonia cultural imposta de fora, falta tomarmos uma posição e concebermos uma cultura que rompa com isso. Não defendo que a arte esteja acima da sociedade ou das pessoas, pra mim arte é comer um pão como manteiga, não suporto artistas e intelectuais, se a arte deva virar mercadoria pra chegar ao povo que assim seja, basta que elevemos as próprias contradições da mercadoria para agitar o povo e liberta-lo dessa anestesia geral. A sorte foi novamente lançada, o momento é esse, falta a agitação, quem vai pra linha de frente?


Frederico – frederico@tribunadorock.com