Posts de Novembro, 2006

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A farsa do sufrágio universal

Novembro 23, 2006

Passada a farsa eleitoral…

José Moreira Chumbinho

 

Eleições concluídas, entre o povo não houve festas. Festa haverá na segunda posse (segunda época), que, “democrática”, será permitido aos empregados assistí-la através das vidraças televisivas.

Não houve nenhuma proclamação que pudesse ser levada a sério, nenhuma novidade, a mínima esperança. Volta a sensação de que “não há para onde ir nem para quem apelar”.

 

No monopólio da imprensa multiplicam-se as análises sobre o nada. É preciso aparentar que, entre os candidatos, havia divergências. Há de fato, divergências que refletem os interesses das frações burocrática e compradora — frações que disputam melhor espaço no governo — porém, ardorosamente, trabalham para as mesmas classes que estão no poder: latifundiários e grande burguesia.

 

Por isso, campanhas e debates evitavam ir ao cerne da questão. Limitavam-se aos argumentos de quem seria mais competente para servir ao imperialismo. Assim, os verdadeiros interesses do povo e do anti-povo são sistematicamente ocultados para não criar embaraços ao império e às classes que o apoiam internamente. E nisso foram todos extremamente cuidadosos.

 

As classes contra-revolucionárias e entreguistas — fortemente ligadas ao imperialismo — permanecem coesas. Além do mais, o imperialismo, desde o advento da “ditadura militar”, interfere sempre no equilíbrio político, não permitindo choques que possam esfacelar oligarquias internas.

 

A farsa do processo eleitoral, promovida pelo poder, foi encomendada para aprofundar e sofisticar o próprio poder, sendo que para oxigenar as eleições não faltaram manobras, inclusive as que provocaram o segundo turno. Sempre que possível, busca-se também ocultar que 30 milhões de eleitores não compareceram, anularam ou votaram em branco. Contra as eleições de cartas marcadas surgiram também inúmeras manifestações espontâneas em todo o país.

 

O que vem agora

 

O continuísmo não sofreu um só arranhão. Mas a questão é: o que está por vir.

 

Não há dúvida: o cartel oportunista que controla o PT, os diversos movimentos “populares”, as ONGs etc. pega pesado. Persegue, sabota, aniquila. Pouco importa tratar-se de “companheiro” de direção, e de “propoxtas” passadas.

 

O cartel acumulou forças, demonstrou que contava com a impunidade diante de tantas provas (ainda que consentidas) de corrupção que se tornaram públicas e que vive o período de esplendor do oportunismo. Tudo ele faz para bem servir à metrópole, conquistar seu espaço no poder como se do oportunismo esse cartel emergente fosse o mais classificado. A pelegada veio para brilhar e para isso se preparou. Qualquer prejuízo em termos de prestígio entre as massas está previsto no custo benefício do poder. Simples manifestações de repúdio não afetarão a blindagem dos grupos que verdadeiramente dirigem o poder, nem mesmo dos que têm a missão de fingir que governam.

 

Também o monopólio imperialista das comunicações que opera no Brasil precisa sustentar que a eleição teve alguma importância, que foi eleito o “presidente operário”, que todos foram às urnas atendendo aos apelos patrióticos, à ética e ao “exercício da cidadania” —, terminologias cujo significado preciso é igualmente adulterado.

 

O eleito é uma espécie de robô, um instrumento, mas nunca um operário. Os operários apenas levam a culpa de terem votado. O poder, cada vez mais desmoralizado, ele tenta transferir para o povo sua própria reputação.

 

É verdade, ninguém elege “presidentes” por acidente. Além do mais, um segundo mandato significa que o atual passou pelo “teste de vendas” da nação. Homologou as anteriores e entregou o que faltava: aprovado como candidato, a farsa eleitoral faz o resto.

 

Mesma finalidade

 

Como no passado, legendas salvam o monopartidismo. O gerenciamento militar assegurava (contra o povo) duas legendas: a do Sim e a do Sim senhor (as antigas Arena e MDB), até que o povo fez rebentar as duas, saindo às ruas, no que resultou num grande movimento aberto contra a ditadura militar. Como as grandes lideranças ideológicas tinham sido exterminadas, restou o caminho parlamentar — tanto quanto o das lutas econômicas (sindicais) e o das as acanhadas liberdades democráticas — que aos poucos passaram a ser monitorados pela direção do PT, com o auxílio do grupo orientado pelo senhor João Amazonas e outros bandos oportunistas e revisionistas, enquanto organizações mais consequentes buscavam resistir.

 

Na fase seguinte (“redemocratização”), o poder evoluiu em degeneração e sofisticou as legendas, mantendo ultimamente a do Yes Sir e a do Yes my boss** (PSDB e CIOSL-PT, respectivamente), que no geral em nada diferem, acompanhadas de outras siglas do oportunismo eleitoreiro.

 

As eleições, que são investimentos sempre mais pesados, trouxeram agora para o novo legislativo grande parte dos “representantes do povo” constituída por milionários, como anuncia a própria imprensa deles. Mesmo assim, Luiz Vaz e Fernanda Guzzo, numa matéria que aparece no Correio Braziliense e que circulou fartamente por vários meios de comunicação, com base em informações cedidas pelo Tribunal Superior Eleitoral revelam que a cúpula que integra o Congresso foi financiada por mineradoras, siderúrgicas (as privatizadas, agora nas mãos dos gringos), empreiteiras, e instituições financeiras. A “ajuda” somou R$18,8 milhões. Sem distinção de siglas, ela atingiu o PFL, PMDB, PSDB e os dois maiores e orgulhosos representantes da falsa esquerda: PT e PC do B.

 

Luiz Inácio respondeu rápido e automático à apuração dos votos: permanece o arrocho, o crescimento da dívida pública, enquanto que recursos para as políticas sociais básicas (ensino, saúde, saneamento, habitação etc.) continuarão transferidas para os banqueiros. Vão aprofundar a “política fiscal dura”, “reforma política”, as mais deslavadas mentiras sobre o “desenvolvimento”, e a acentuada perda, como de costume, das garantias trabalhistas e democráticas.

 

Nada deverá alterar as maquinações que favorecem a concentração de capitais no campo e na cidade, o aprofundamento da desnacionalização, do extrativismo mineral e vegetal (roubo de matéria prima), da monocultura e da política de subjugação nacional. O ensino, como a saúde, anunciam os discursos, contarão com o intenso aumento da propaganda, único investimento nesses dois setores, como de praxe. Já a segurança — para o poder semifeudal, burocrático e semicolonial — é um conceito inseparável da repressão ao povo pobre. Menos de 15 dias após o resultado eleitoral, uma brutal repressão desabou sobre os camelôs em São Paulo. A matança de favelados prossegue de forma avassaladora, vitimando principalmente jovens e crianças.

 

Sempre os quadros

 

O mesmo monstro que gerou a chamada ditadura militar, por décadas foi se apoderando da economia de nosso país e, em 1964, se assenhoreou de vez do aparelho de Estado e de governo. Por isso veio o golpe de abril naquele ano e esse mesmo monstro permanece no poder. De maneira mais sofisticada, conduz os negócios coloniais de nosso país, mudando, quando pode, sua aparência e composição.

 

Durante décadas, o imperialismo formou quadros contra-revolucionários e permanece instruindo a gente mais desclassificada da sociedade brasileira para gerenciar seus interesses. Os submissos, passada a farsa eleitoral, trocam impressões. Confidenciam, sorriem, loteiam a área ministerial, e catam vorazmente o que cai da mesa do imperialismo.

 

Serão altos especialistas os futuros ministros? Vão elaborar avançados projetos que servirão ao país? Absolutamente, não. A mudança ministerial (variando em razão do volume do capital em jogo) lembra a clássica distribuição de secretarias nos governos estaduais e os comentários que a acompanha:

 

— … Então, papai gritou para o governador: “Olha aqui, fulano, o departamento de material da secretaria de Saúde é da minha família, entendeu? Da minha família!

 

Os antigos papas do servilismo seguem expectorando teorias e instruções semicoloniais e semifeudais. Sem o menor pudor “entram e saem do Planalto pela garagem subterrânea, reservada às autoridades da casa”, como revelava o Estadão no início de novembro. Pouco importam as pastas. Se for o caso, melhor que outros as carreguem para eles. Importa cumprir as ordens, principalmente as emanadas do USA, e redistribuí-las, equilibrar os interesses da grande burguesia submissa ao império, aparando as arestas internas e administrar a crise do imperialismo que se aprofunda de maneira inevitável.

 

Na direção do PT, o cartel oportunista exibe sua inesgotável felicidade porque pode contar com tecnocratas de fino trato, gente de prestígio no diretório da escola colonial, mais que simples simpatizantes da causa e iniciados na arte de bem servir ao império ianque. Isso confere ao cartel um outro status e mais uma demonstração de “força”. De quebra, finge que mudanças no plano econômico pertençam à área de competência dos gerentes coloniais, ou seja, à área de serviço.

 

O crescimento da economia, o “milagre econômico” durante a gerência militar era baixíssimo (10 a 12%) em comparação com o período de Juscelino e João Goulart (18%), últimos presidentes brasileiros. Até agora, assegurado pela gerência FMI-PT, o crescimento é de 3%, no máximo, embora anunciem um futuro 5%. No caso de advirem recessões para beneficiar o “desenvolvimento” do Fundo Monetário Internacional, a culpa novamente recairá sobre o povo, aquele que “não soube escolher”.

 

Nesse ponto, a “estabilidade monetária” pode sair de moda porque especialistas em inflação, desde a matriz, receberam orientações para proferir novas elocubrações sobre o tema. Porém, se cai a estabilidade monetária, isso afetará os interesses de uma das frações — que reclamará compensações a serem concedidas pelo governo.

 

Daí a verdadeira razão do encontro, um dia após as eleições, entre Cardoso (solto e faceiro) e cerca de “380 empresários”, afora o mundo da elegância do jornalismo (lá deles). Reuniões dessa natureza, guardam sempre como pretexto discutir a economia nacional — como tradição, em meio a um jantar, discursos elogiosos e outros rituais de descarado luxo e ostentação — de modo a perpetuar o Brasil escravizado cujo povo passa fome para sustentar o capital financeiro internacional. Dessa vez, o “encontro” foi no Hotel Hyatt, um desses cinco estrelas de São Paulo.

 

Bem, esse é o lado deles. O do povo é uma outra história. Ver editorial.

 

Mentiras, verdades

 

 

 


 

*CIOSL – Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres. Surge em 1949, financiadas pelos magnatas ianques e ingleses, provocando uma dissidência na gloriosa Federação Sindical Mundial – FSM.
A CIOSL é uma junção das AFL-CIO, TUC e CIO. Seu braço (Secretariado) para a América Latina é a ORIT (Organização Regional Interamericana dos Trabalhadores), fundada em 1951, ligada ao Iadesil (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre) que administra cursos de “liderança” sindical e já formou uma imensa quantidade de pelegos em toda a América Latina e no mundo.
A Central Única dos Trabalhadores CUT, a Força Sindical e algumas outras “confederações” são filiadas à CIOSL. O sindicalismo de direita no Brasil também recebe orientação da social-democracia “socialista” da Europa, corrente oportunista que foi à bancarrota no período da primeira guerra e ressuscitada pelos revisionistas modernos e por toda a reação internacional.
A AFL (Federação Americana de Trabalhadores) surge em 1955 e é a maior central sindical dos USA, enquanto que a CIO, outra central do mesmo país, é menos expressiva. TUC é Federação Inglesa. Já a Federação Sindical Mundial (FSM), criada em Paris, em 1945, chegou a ser a mais combativa organização sindical do mundo, mas caiu em mãos do social-imperialismo russo. Seu último congresso, ainda representativo, ocorreu em Pequim, por volta de 1960.

 

**my boss — meu patrão, meu chefão, poderoso. O presidente ianque, por exemplo, é chamado de big boss que, hoje, nos estertores do imperialismo, equivale a “chefão maior”, no sentido mafioso do “poderoso chefão”. Yes Sir é um mais convicto e servil “sim senhor”.

Retirado de AND

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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O ’senhor polêmica’

Novembro 22, 2006

Carlos Lopes esquenta a noite com as suas ideologias em Palestra na Faculdade Estácio de Sá (RJ-RJ) em outubro de 2006.

Por Mayna Nabuco

20h15min – Após a palestra de Marcelo Csettkey e Marcelo Gil, o jornalista Carlos Lopes tem a palavra. O palestrante diz ter mudado de idéia sobre o tema a ser apresentado em sua palestra que era sobre o seu período acadêmico. Carlos disse acreditar em teorias conspiratórias, pois em todas tem um fundo de verdade. “A verdade não me interessa”, falou o jornalista (alfinetando a dupla) contando que sempre se faz uma pergunta e esta é “Para que e quem serve a verdade?” Carlos Lopes está para terminar um livro e não sabe se irá procurar uma editora para publicá-lo ou irá lança-lo independentemente, porque para tudo hoje em dia se tem jabá, desde o mais alto ao mais baixo escalão. Segundo o ele, a vidinha do jornalista de cobrir buracos de rua o desiludiu. Então ele passou a escrever com deboche. Mas deixou um recado para os futuros profissionais de comunicação: “façam a diferença e não se iludam com dinheiro”, refletiu. Em resposta a pergunta que sempre se faz de “para que e quem serve a verdade” o jornalista Marcelo Csettkey disse que a verdade serve para a dignidade humana, trazendo um clima de debate ao auditório.

  Foto Efraim Fernandes

Carlos Lopes (de laranja) discorda dos ‘Marcelos’ causando
polêmica na palestra que virou debate

 

Palestra vira debate acalorado
Divergências de idéias polariza debate entre palestrantes

Por Amanda Affonso

20h35min – Após discordar de alguns tópicos da palestra anterior, sobre os atentados de 11 de setembro, o jornalista Carlos Lopes transformou a sua palestra num confronto de idéias. Carlos Lopes iniciou falando sobre teoria conspiratória e lançou a seguinte frase: “Já aprendi muita teoria na faculdade. Para mim, a teoria não serve para nada”, disse, seguido de aplausos fervorosos dos alunos. O mediador, professor Pablo Lagnier, por outro lado, defendeu a teoria, rebatendo no ato. “A teoria é necessária para todos nós, o que você diz também existe a teoria”. Outra chama acesa durante o debate foi quando Marcelo Gil e Marcelo Csettkey falaram pela primeira vez sobre as dificuldades que eles tiveram em divulgar o livro na mídia, a exemplo da revista Isto É.

  Foto Efraim Fernandes

Carlos Lopes (em pé), com suas “teorias”, discorda sobre
temas levantados pelos palestrantes gerando debate de idéias

 

‘Opinar não é fazer jornalismo’
Carlos Lopes acredita que embasamento é o
instrumento principal do profissional

Por Mayna Nabuco

20h55min – O debate desta noite continua pegando fogo. Temas como a guerra do Iraque e a venda de armas pelos Estados Unidos para a indústria bélica tomaram conta do auditório e para acalmar os ânimos mais alterados o mediador da mesa, professor Pablo Lagnier, perguntou a Carlos Lopes sobre sua opinião sobre as resenhas que o convidado escreve para álbuns musicais e obteve a seguinte resposta “Opinião não é nada, até o meu cachorro tem uma. Você tem que ter é embasamento”.

Retirado de www.dorsaltlantica.com.br

Obs: Ainda existe um pouco de dignidade roqueira em algumas pessoas, apesar delas pagarem o preço por isso. Viva o senhor polêmica.

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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e mais um pouco de polêmica…

Novembro 21, 2006

Entrevista censurada para a Revista ShowBizz (1997)

“Eu me sinto um E.T.”

Quize anos de estrada, convites (recusados) de gravadoras multinacionais, primeiro grupo a receber um disco tributo ainda na ativa, disco novo na praça, a crítica babando em cima, distribuição mundial pela Rough Trade, o Dorsal Atlântica é a maior banda de Heavy Metal do Brasil. Heavy Metal? Isso ainda existe? É o que o repórter Bizz foi peguntar pra Carlos Vândalo, que aproveitou a deixa, abriu a caixa de ferramenta e não poupou nem seus ex-pupilos de Sepultura.

O Heavy Metal é um estilo ultrapassado?

O último Hollywood Rock levou um público médio de 40 mil pessoas aos estádios. O Monsters of Rock leva muito mais gente aos estádios que os festivais de outros gêneros.

É verdade que só em São Paulo há três abaixo-assinados para o Dorsal tocar no próximo Monsters of Rock?

Sim. O público do Dorsal seria ainda maior se não trabalhássemos com uma produtora independente, coisa que sempre fizemos questão de fazer.

Por que?

Por causa da liberdade de, por exemplo, continuar tocando Heavy Metal, coisa que o mercado quer teimar fazer obsoleto. Para não precisar colocar tambor e índio no meu disco. Para nunca ter que vestir bermudão de skatista nem virar lutador de jiu-jitsu.

Você está falando do Sepultura. Você não acha enriquecedora a experiência deles com elementos da música brasileira?

Eu não tenho dúvidas que no fundo, o álbum Roots foi o verdadeiro responsável pela crise na banda. Eles abriram as pernas para o que chamam de “Modernidade”. Não sei se por dinheiro ou ingenuidade.

Você acha que o artista não deva modernizar o seu som?

Não acho nem um pouco moderno a mistura que a geração 90 faz. Chico Science é uma merda. Eu ouço Funkadelic, leio Machado de Assis, assisto Bergman e voto na esquerda. No meu trabalho, todas essas influências estão claras sem eu precisar apelar pra grosseria. Isso é desrespeito, é chamar o público de idiota.

Você costuma dizer nos seu shows que “Dorsal não é moda, Dorsal é Foda”. Porque essa implicância com a geração 90?

A mensagem da geração 90 é: fume maconha que você vai provar seu grau de liberdade! Ou: coma muitas bocetas que você vai provar que é macho!

Mas o público dessa geração redescobriu a música brasileira por causa dessas bandas.
Se você pergunttar para algum deles se gostam de Paulinho da Viola eles vão achar o máximo. Não têm idade nem neurônio para lembrar que, na virada dos anos 60, ele participou da passeata contra a guitarra! O público Heavy é menos alienado que o público da moda.

Seu discurso anti-drogas é muito parecido com o dos straight-edge, movimento do rock “careta” liderado pela banda Fugazi. Você também é contra as drogas?

Sim, por isso o disco se chama Straight. Veja o caso dos “ícones” Marylin Monroe, uma viciada em bolinha porque não conseguia achar um piru que a satisfizesse, e o James Dean, um viadinho que enchia a cara, ficava putinho e ia a mil por hora num porsche. Foi por causa da Heroína que o Kurt Cobain não agüentou o tranco de ser regido pelas regras do mercado. A lista de covardes é interminável. Vai de Raul Seixas a Janis Joplin. Eu não sou contra quem usa as drogas, só não respeito quem as usa.

É verdade que você estuda astrologia?

Eu sempre fui interessado em espiritualidade. Mas não recomendo nenhuma religião. Muito menos livros espiritualistas escritos dos anos 60 pra cá.

Straight é um disco extremamente agressivo e complexo.

Por isso escolhi o Paul Johnston (produtor das bandas Napalm Death, Terrorvision…) para trabalhar nesse disco. Queria um produtor “virgem”, que apenas executasse bem minhas idéias sem meter a mão no trabalho. Veja que os discos aclmados pela crítica ano passado são trabalhos conjuntos de banda e produtor. O músico perde autoridade quando entra no grande mercado. Eu quis que Straight fosse um disco íntegro.

retirado de www.dorsalatlantica.com.br

Frederico – frederico@tribunadorock.com

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enquanto isso há exatamente 20 anos

Novembro 14, 2006

 

14/11/1986


O manifesto do voto nulo

 

 

A campanha pelo voto nulo, acionada em Brasília por militantes de várias entidades alternativas – entre as quais o Partido Verde, o Centro Anarquista, grupos autônomos Gays, mulheres oprimidas de Papuda e até um grupo radical do PT – chega a preocupar a muitos. Mais do que uma manifestação restrita a uma minoria de descrentes com qualquer validade nas eleições de amanhã, os pregadores do voto nulo, elaboraram uma programação de ação que usou de todos os veículos e canais possíveis para divulgar seus manifestos.

Assim, em Brasília onde a campanha para estas eleições, reveste-se de um sentido especial – na qual, pela primeira vez a população escolherá seus deputados e senadores – o posicionamento dos defensores do Voto Nulo não deixa de ser curioso. E mais interessante é que aquilo que pode parecer algo apenas simbólico cresceu nas últimas semanas, razão de preocupação dos próprios partidos que buscam desesperadamente cada voto útil.

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Um dos (muitos) manifestos distribuídos pelos defensores do Voto Nulo é radicalíssimo em seu conteúdo e, apenas como curiosidade e informação, aqui o transcrevemos.

“Mesmo que as OLIGARQUIAS, os LATIFUNDIÁRIOS e os EMPRESÁRIOS tivessem escolhido “santos”, “poetas”, “gênios”, “cientistas” ou os indivíduos mais confiáveis da sociedade para candidatos à Constituinte, ao Senado, à Câmara e ao Governo, mesmo assim a nossa concepção sobre as ELEIÇÕES seria a mesma, isto é, de que nenhum desses personagens tem o direito, o poder e a competência para LEGISLAR em nosso nome. Estamos saciados dessa máfia, desses parasitas levianos e interesseiros que não passam de mares esgotados (…) Todos turvam as águas a fim de parecerem profundas… É em função disso que, dessa nossa janela, queremos fazer chegar nosso grito até os eleitores dizendo:

1. Vote Nulo – não deixe que os latifundiários, os empresários, os usineiros, os intelectuais e outros membros da chamada “Classe Alta” que ocupam a Câmara e o Senado te usem mais uma vez.

2. Vote Nulo – Os candidatos ricos de hoje são os mesmos que ontem sugaram o sangue de teu pai, de teus irmãos, avós e amigos… e os candidatos pobres de hoje serão os que sugarão teu sangue amanhã.

3. Vote Nulo – Nenhum desses canalhas fará algo por tua vida e muito menos por tua liberdade. Depois dos comícios eles se reúnem em mansões para tomar o vinho e a vodka que nem tu nem teus filhos tomarão jamais… além de seduzirem tua irmã, tua filha e tua mãe.

4. Vote Nulo – Nenhum candidato tem um programa de governo que te interesse… Ouça os chavões, as promessas, as mentiras lavadas que levam até tua casa… como se todos fôssemos surdos, cegos e idiotas.

5. Vote Nulo – Ou nunca deixarás de ser filho, neto e bisneto de burocratas, desses escravos sem remédio que enchem os ministérios, os quartéis e as embaixadas…

6. Vote Nulo – Porque o autor de BRASIL SEMPRE representa o pensamento ideológico de todos nossos generais.

7. Vote Nulo – Porque tu és o único que não tens conta na Suiça, no Uruguai e até no Paraguai.

8. Vote Nulo – Não permita que esses delinquentes legislem sobre teus filhos e filhas…

9. Vote Nulo – Os povos mais livres e mais saudáveis jamais recorrem às urnas.

10. Vote Nulo – Veja a TV e logo perceberás que os candidatos ou são analfabetos desprezíveis ou larápios perigosos… ou direitas assassinos ou esquerdistas ávidos pelo poder…

11. Vote Nulo – Todos os candidatos são filhos e defensores da TFP (Tradição, Família e Propriedade)… Os cabos eleitorais dessa gentalha estão tão eufóricos apenas porque receberão uma parte do banquete… mas tu seguirás desempregado ou subempregado…

12. Vote Nulo – Vamos juntos dar um show de consciência nesses velhotes bastardos que acreditam “Mandar” numa massa de analfabetos…

13. Vote Nulo – Nós, os jovens e as mulheres, temos nas mãos os instrumentos para desmantelar essa palhaçada hedionda…

14. Vote Nulo – Plante hoje a semente de tua liberdade futura. Não colabore com a canalhice institucionalizada. Não leve esses delinquentes ao poder. Vote Nulo. Não seja conivente com essa massa traidora de “representantes do povo”…

15. Vote Nulo Hoje – ou então, assuma depois sozinho teu “calvário”, sozinho ou com aqueles que comigo fortaleceram essa farsa… sem greves e sem melodramas…


Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Veículo: Estado do Paraná

Caderno ou Suplemento: Almanaque

Coluna ou Seção: Tablóide

Página: 17

Data: 14/11/1986

Retirado de http://www.millarch.com.br/ler.php?id=1876

Frederico – frederico@tribunadorock.com